Policiais civis do Rio de Janeiro e da Bahia realizam, nesta segunda-feira (28), a Operação Mercador, que investiga uma organização criminosa suspeita de desviar armamentos para o mercado clandestino. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), com apoio da Polícia Civil da Bahia. Até o momento, quatro pessoas foram presas.
A operação mira um esquema investigado por comércio ilegal de armas e munições, falsificação de documentos, fraudes para obtenção de registros de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CAC) e lavagem de dinheiro.
No Rio de Janeiro, os agentes atuam na Barra da Tijuca, em Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti. A operação também tem caráter interestadual, com ramificações identificadas na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Sul, além de outros endereços relacionados aos investigados.
Investigação aponta fraude na obtenção de registros de CAC
De acordo com as investigações, o grupo utilizava documentos falsos para viabilizar a obtenção de registros e a aquisição formal de armas. Entre os materiais apontados estão laudos psicológicos fraudulentos, comprovantes de residência falsificados e vínculos de trabalho fictícios.
Intermediários também participavam de procedimentos relacionados à obtenção de Certificados de Registro (CR) de Colecionadores, Atiradores e Caçadores.
Após a aquisição formal, as armas eram desviadas para o mercado clandestino. Segundo os elementos reunidos no inquérito, armamentos obtidos por meio do esquema foram posteriormente localizados com integrantes de organizações criminosas.
Entre as organizações citadas nas investigações estão o Bonde do Maluco (BDM) e o Comando Vermelho (CV). Fuzis, carabinas e pistolas de diferentes calibres estão entre as armas identificadas.
Movimentações financeiras superaram R$ 100 milhões
A investigação também apontou uma estrutura financeira relacionada às transações. Empresas ligadas aos alvos apresentavam características consideradas incompatíveis com as atividades econômicas declaradas, além de alterações societárias e movimentações financeiras consideradas atípicas.
Os agentes analisaram relatórios financeiros e identificaram movimentações superiores a R$ 100 milhões.
Um dos principais alvos da operação possui endereço em um condomínio residencial na Barra da Tijuca. Segundo as investigações, ele é apontado como um dos principais articuladores da organização, com atuação nas funções de comando e coordenação da estrutura voltada ao comércio ilegal de armas de fogo.
Ação ocorre em diferentes estados
A Operação Mercador tem como objetivo desarticular a estrutura investigada e cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados aos alvos.
Além do Rio de Janeiro, a organização investigada teria ramificações na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Sul. As investigações apontam uma atuação interestadual envolvendo a aquisição formal de armamentos, o desvio posterior para o mercado clandestino e a movimentação dos recursos obtidos nas transações.
Até o momento, quatro pessoas foram presas durante a ação. A investigação reúne informações sobre a origem dos armamentos, a utilização de documentos fraudulentos, a obtenção de registros de CAC e a movimentação financeira atribuída ao grupo.