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Segurança Pública

Polêmica e fechamento de tradicional posto de combustíveis em Niterói

Tayná Ferreira | Publicado em:

Posto de combustível em Niterói
Estabelecimento está entre os postos investigados pela PF. Foto: João Victor Guedes

Após a operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira, que investiga uma rede de postos de combustíveis do Grande Rio em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, circulou em páginas de redes sociais, nesta quarta-feira (8), um vídeo mostrando um tradicional posto fechado em Niterói. Segundo os boatos, o estabelecimento da empresa VIP Gavião teria encerrado as atividades após suposto envolvimento na sexta fase da Operação Unha e Carne. O posto também acumula reclamações de consumidores que apontam irregularidades.

De acordo com o ex-secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, João Pires, ao ENFOCO ele esclareceu que, a partir de informações obtidas no período em que esteve à frente da pasta, proprietários do posto fechado realmente estão entre os alvos da operação da Polícia Federal.

Segundo funcionários e comerciantes da região ouvidos pelo ENFOCO, que pediram para não ser identificados, o estabelecimento, no entanto, já está fechado há cerca de uma semana devido ao encerramento do contrato com a rede Ipiranga e à transferência da administração para um novo proprietário. “O contrato com a Ipiranga terminou e o posto foi repassado. Agora há um novo dono”, afirmou um funcionário que preferiu ter a identidade preservada.

No local ficou constatado que as bombas de combustíveis já haviam sido removidas do estabelecimento. Também foi possível observar funcionários realizando a retirada de outros equipamentos e materiais do local.

Ainda de acordo com ele, o posto continuará operando normalmente após a conclusão das obras de reforma, iniciadas nesta semana. “Estamos retirando os equipamentos do posto e da loja de conveniência aos poucos”, explicou.

Enquanto as obras são realizadas, apenas o serviço de lavagem rápida de veículos segue funcionando no local. Questionado sobre a previsão de reabertura, o funcionário informou que ainda não há uma data definida. A nova empresa que irá administrar o espaço também não foi informado.

Garotinho

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, está entre os que aproveitaram a operação da PF para afirmar em suas redes sociais que o posto VIP Gavião está entre os estabelecimentos ligados aos investigados na sexta fase da Operação Unha e Carne.

“Os donos? Um dos investigados na Operação Unha e Carne com Márcio Canella, juntamente com o delegado Marcus Vinicius Amim. O dono no papel é policial civil”, declarou Garotinho.

Procurada, a Polícia Federal ainda não divulgou oficialmente a relação completa dos postos de combustíveis investigados na operação.

Operação Unha e Carne

A PF deu início à sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga a suposta ligação entre agentes públicos e organizações criminosas no estado do Rio. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense.

As investigações apontam que uma rede de postos de combustíveis do Grande Rio teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, que contaria com a participação e o apoio de agentes públicos e políticos.

Entre os alvos da operação estava o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), e o delegado Marcus Vinicius Amim, ex-secretário de Estado de Polícia Civil. Outros policiais civis também são investigados.

Canella foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal para prestar esclarecimentos e acabou preso em flagrante após um fuzil ser encontrado dentro do veículo em que estava.

Outro investigado, um ex-policial militar e miliciano, é apontado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu. em 2009 ele foi condenado por homicídio e associação criminosa.

Também foi alvo de buscas o inspetor da Polícia Civil. Segundo a Polícia Federal, ele e a esposa seriam proprietários, por meio de empresas registradas em nome de terceiros, de uma rede de postos de combustíveis. As investigações indicam que mais de 80 empresas, entre ativas e inativas, estariam ligadas a familiares do policial.

Reclamações de consumidores

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Além das alegações envolvendo a operação policial, consumidores relataram, ao longo dos últimos anos, supostos problemas relacionados ao posto, como suspeitas de combustível adulterado, irregularidades no abastecimento e recusa em abastecer galões certificados.

“Após as verificações, o mecânico informou que não havia problema mecânico e perguntou se eu havia abastecido em um posto diferente do habitual. Depois constatou que o combustível era de má qualidade e recomendou que ele fosse retirado do tanque”, disse um cliente em um site de reclamações na internet.

Ao ENFOCO, um motorista afirmou ter passado por situação constrangedora. “Não costumo abastecer ali, mas certa vez fiquei sem combustível. Fui ao posto com um galão certificado pelo Inmetro e me informaram que não abasteciam galões, mesmo regulamentados. Acredito que isso acontecia para evitar que o consumidor percebesse alguma irregularidade nas bombas ou no combustível”, disse o condutor, que preferiu ter a identidade preservada.

Anthony Garotinho também afirmou que o estabelecimento já havia sido alvo de diversas denúncias. “Foi denunciado diversas vezes por bomba baixa e combustível adulterado. A Ipiranga sabia de tudo”, declarou.

O que dizem os envolvidos?

Procurada, a distribuidora Ipiranga esclareceu que a empresa não compactua com qualquer irregularidade em sua cadeia e mantém uma atuação firme no combate ao mercado ilegal de combustíveis.

A distribuidora confirmou que ‘o revendedor que operava o referido posto não tem mais qualquer relação com a Ipiranga. As operações serão retomadas futuramente com novos parceiros’.

‘A companhia orienta permanentemente seus revendedores, responsáveis pela operação dos postos, a atuar em conformidade com a legislação vigente e com suas diretrizes internas, compromisso que também está previsto em seus contratos’, declarou em nota.

Sobre as reclamações dos consumidores, a Polícia Civil informou, no entanto, que não existe qualquer registro relacionado na Delegacia de Icaraí a respeito do posto.

Fiscalização

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) esclareceu que, após denúncias, foram realizadas ações de fiscalização no Posto VIP Gavião nos últimos anos, sendo a última no último dia 15 de junho, todas sem registros de quaisquer irregularidades.

A ANP também reforça que os testes de qualidade realizados mostraram que os combustíveis estavam em conformidade com as especificações e não houve indícios de problemas de qualidade.

A agência complementou ainda que as ações de fiscalização são planejadas a partir de diversos vetores de inteligência, como informações da Ouvidoria da ANP com manifestações dos consumidores, dados do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) da Agência, informações de outros órgãos e da área de Inteligência da ANP, entre outros. Dessa forma, as ações são focadas nas regiões e agentes econômicos com indícios de irregularidades.

Denúncias sobre irregularidades no mercado de combustíveis podem ser enviadas à ANP por meio do telefone 0800 970 0267 (ligação gratuita) ou do formulário próprio para denúncias de agentes regulados.

Tayná Ferreira

Jornalista formada, apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades. Atua principalmente na produção de reportagens especiais e na cobertura de temas relacionados a segurança pública e cidades. Estudante de Libras e defensora da causa animal. Instagram: @taynafjornalismo

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