Uma operação da Polícia Civil mira, nesta terça-feira (22), um dos principais canais de abastecimento de drogas do Comando Vermelho. A Operação Icarus cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento, seis pessoas foram presas, entre elas o principal alvo da investigação, conhecido como “Boss”, apontado como fornecedor de drogas e um dos principais articuladores da estrutura criminosa.
A ação é realizada por agentes do Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral (SIC/CGPOL) e da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE), com apoio de outras unidades da Polícia Civil, do Ministério Público, da Corregedoria da Polícia Militar, da Polícia Penal e das polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.
Segundo as investigações, “Boss” mantinha contato direto com lideranças do Comando Vermelho e atuava no abastecimento de comunidades com drogas. Ele seria responsável por negociar cargas, organizar o transporte e os pagamentos, coordenar operadores logísticos e usar terceiros para movimentar dinheiro obtido com o tráfico.
A investigação começou depois que policiais apreenderam anotações do criminoso conhecido como “My Thor”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho. Entre os registros, os investigadores encontraram anotações que indicariam pagamentos feitos por “My Thor” a “Boss”.
A partir desses documentos, os policiais chegaram a uma estrutura com funções divididas entre fornecedores, operadores logísticos, transportadores, responsáveis pela cobrança e recolhimento de dinheiro e pessoas usadas para movimentar os valores.
Duas grandes apreensões de drogas estão relacionadas ao esquema investigado. Em fevereiro de 2024, policiais encontraram 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, em São Paulo. Em maio do mesmo ano, foram apreendidos mais 73,8 quilos de cocaína em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio. De acordo com a investigação, as duas cargas fariam parte da mesma estrutura de transporte de drogas entre São Paulo e o Rio.
Os investigadores também identificaram o uso de empresas dos setores de transporte e logística que, segundo a polícia, poderiam ser utilizadas para esconder e facilitar o envio dos entorpecentes.
No braço financeiro da organização, foram encontradas movimentações consideradas suspeitas envolvendo investigados e empresas que poderiam ter sido usadas para ocultar a origem do dinheiro. As operações comunicadas às autoridades somaram R$ 70,4 milhões em um curto período.
Em Maceió, um dos principais alvos da investigação foi preso na segunda-feira (21), durante uma ação conjunta da Subsecretaria de Inteligência e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Além das prisões, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão para recolher celulares, documentos, dinheiro, veículos e outros materiais que possam ajudar a polícia a identificar novos integrantes e esclarecer o funcionamento da organização.