O homem envolvido na confusão com a vereadora Benny Briolly (PT) no Plaza Shopping, em Niterói, se pronunciou pela primeira vez sobre o episódio ocorrido durante o ato “Libera o Meu Xixi”, realizado na noite da última terça-feira (19) – um movimento político e social que defende o direito de pessoas trans utilizarem banheiros públicos de acordo com sua identidade de gênero.
Identificado como Sérgio Marinho, de 55 anos, massoterapeuta e tosador de animais, ele afirmou ao ENFOCO que não é segurança do shopping e que esteve no local após saber da realização da manifestação por meio das redes sociais.
Morador de Niterói, Sérgio disse que decidiu permanecer na porta do banheiro feminino de forma pacífica ao perceber que o grupo tentaria entrar no espaço mesmo com mulheres no interior. Ele afirma que, em nenhum momento, houve agressão de sua parte.
“Eu fiquei na porta do banheiro, eles me empurrando, e eu com o braço me protegendo, sem meter a mão em ninguém, sem tocar em ninguém, só me protegendo”, declarou.
O caso ganhou repercussão após vídeos mostrarem um tumulto na entrada de um banheiro feminino. Nas imagens, Benny Briolly aparece discutindo com o homem antes de um empurra-empurra generalizado. A parlamentar registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) e afirmou ter sido agredida.
Em nota anterior, o Plaza Shopping esclareceu que Sérgio Marinho não integra a equipe de segurança do centro comercial e não possui qualquer vínculo com a administração do empreendimento.
Ao relatar sua versão, Sérgio destacou que interviu no caso com receio de que a situação “passasse do limite”.
“Eu sou uma pessoa que tenho uma mãe de 82 anos, tenho filhas, tenho esposa, tenho amigos que têm filhas adolescentes. Eu sei que normalmente quando acontecem esses atos acaba passando um pouco do limite”, justificou ele sobre a ida até o local.
O morador afirmou ainda que tentou impedir a entrada do grupo ao perceber que havia mulheres utilizando o banheiro naquele momento.
“Eu avisei: ‘Tem mulheres aqui dentro’. Tinha homem fazendo filmagem, tirando foto e iam acabar invadindo o banheiro”, relatou.
Ele afirmou ainda que foi empurrado durante a confusão e que acabou atingido por spray de pimenta. Segundo seu relato, seguranças do shopping o retiraram rapidamente do local para evitar novas agressões.
“Me atacaram com spray de pimenta. Com isso, os seguranças viram que eu ia ser agredido, me puxaram e me levaram para o banheiro masculino do lado”, alegou.
Sérgio também contestou a versão apresentada pela vereadora sobre as agressões.
“Depois eu vi pelos vídeos que ela se jogou no chão, disse que foi agredida, pediu cadeira de rodas, pediu maca […]”, disse.
O massoterapeuta afirmou ainda que não sabe se foi formalmente acusado, mas disse que, caso o boletim de ocorrência registrado por Benny Briolly o cite diretamente como agressor, pretende tomar medidas judiciais.
“Se ela estiver me acusando diretamente, eu vou fazer um boletim de ocorrência também, porque eu sofri agressão, da qual ela participou, porque se ela não tivesse convocado aquela situação, nada daquilo teria acontecido. Ou seja, eu fui agredido.”
Em seguida, ele completou a fala destacando sua intenção com o pronunciamento em vídeo e reforçou que “não estava ciente” da manifestação que acontecia na praça de alimentação do shopping, tendo ciência apenas quando chegou em casa e verificou o celular.
“Eu fiz o pronunciamento para falar a verdade dos fatos. Tanto é que a pessoa assume [uso do spray de pimenta] nas filmagens, falando: ‘Fui eu”. E a assessora dela ficou desesperada, como quem diz: ‘fica quieto’, enfim. Não cheguei a ser espancado porque os seguranças agiram rápido e me retiraram dali. E aí [caso tenha me acusado no boletim de ocorrência] ela vai responder por calúnia, difamação, agressão e outras coisas mais. Não tenho intenção de ir para mídia, ficar famoso”, declarou.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
O que diz Benny Briolly
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da vereadora Benny Briolly (PT) pontuou que todos os fatos foram registrados e serão apurados pelos órgãos competentes.
“Temos vídeos que comprovam que a equipe masculina foi orientada pela própria Benny Briolly a permanecer na entrada do corredor, sem acessar o banheiro feminino. As imagens também registram a agressão sofrida”, esclareceu.