A Justiça do Rio de Janeiro decidiu levar a júri popular o tenente da Polícia Militar Marcos Gabriel Silva Mendes, acusado de matar o empresário Rhuan Rodrigues Pereira, de 20 anos, durante uma abordagem policial em São Gonçalo, na Região Metropolitana. O caso, ocorrido em agosto de 2024, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (26) e reacendeu o debate sobre o uso da força em ações policiais.
A decisão foi proferida pela 4ª Vara Criminal, atendendo ao pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Para a acusação, há indícios de que o crime foi cometido por motivo torpe e com o uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, circunstâncias que agravam a tipificação do homicídio.
Segundo as investigações, Rhuan foi atingido por três disparos nas costas enquanto dirigia pelo bairro Porto do Rosa, na Rua Heitor Rodrigues, nas proximidades da BR-101. Ele havia acabado de sair da festa de aniversário da mãe e seguia para um show de pagode acompanhado do primo, Lucas, que estava no banco do carona.
Testemunhas relatam que duas amigas do jovem, que seguiam o carro em uma motocicleta, presenciaram toda a ação. A denúncia do Ministério Público destaca que a viatura policial estava com giroflex e sirene desligados, o que teria dificultado a percepção da abordagem por parte da vítima.
Ainda de acordo com o MPRJ, o tenente teria agido com base apenas na suspeita de que os ocupantes do veículo poderiam estar envolvidos em atividades criminosas. Para os promotores, essa conduta demonstra desprezo pela vida humana, elemento central na acusação apresentada à Justiça.
Em sua defesa, o policial afirma que criminosos do Complexo do Salgueiro teriam iniciado um tiroteio no momento da abordagem, versão que será analisada no decorrer do processo.
A decisão de levar o caso a júri popular foi recebida com emoção pela família de Rhuan. Na manhã desta quinta-feira, Fernanda Rodrigues Garcia, mãe do jovem, celebrou o avanço judicial. Desde a morte do filho, ela tem atuado para manter o caso em evidência e cobrar responsabilização.
Rhuan era descrito por familiares e amigos como um jovem trabalhador e dedicado. Ele atuava como gerente em uma loja de roupas e também era sócio de um depósito de bebidas, sendo considerado uma promessa no meio empresarial local.
O julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não tem data definida. Nesse tipo de procedimento, cabe a cidadãos decidir se o réu é culpado ou inocente, com base nas provas apresentadas durante o julgamento.