Jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina contra o HPV ou não possuem registro da imunização podem se vacinar gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até 31 de dezembro de 2026. A estratégia do Ministério da Saúde busca recuperar a vacinação de quem não recebeu a dose na faixa etária indicada.
Para esse grupo, a estratégia de resgate prevê uma dose da vacina. Já meninas e meninos de 9 a 14 anos continuam tendo acesso à imunização de rotina do SUS, também em dose única. Pessoas com imunossupressão e outros grupos especiais seguem esquemas específicos, que devem ser avaliados pela equipe de saúde.
O papilomavírus humano (HPV) é transmitido principalmente pelo contato sexual e pode infectar homens e mulheres. Alguns tipos do vírus estão relacionados ao surgimento de verrugas genitais, enquanto outros podem causar alterações celulares associadas a diferentes tipos de câncer.
Entre as doenças relacionadas ao HPV estão os cânceres de colo do útero, ânus, pênis e garganta. A infecção frequentemente não provoca sintomas, o que pode dificultar sua identificação.
“Quando falamos da vacina contra o HPV, estamos falando de prevenção de câncer. É uma proteção que começa cedo, antes que doenças relacionadas ao vírus possam aparecer”, afirma Roberto Rangel, médico de Família e Comunidade e presidente da RioSaúde.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028.
A imunização contra o HPV não é destinada apenas às meninas. O vírus também pode afetar os homens e está relacionado a alguns tipos de câncer e outras doenças.
“Os meninos também precisam dessa proteção. Levar informação às famílias, envolver as escolas e conferir a situação vacinal nas consultas são medidas que ajudam a alcançar quem ainda não se vacinou”, destaca Rangel.
A vacina disponibilizada pelo SUS protege contra quatro tipos de HPV. Ela é utilizada para prevenir novas infecções e não trata uma infecção pelo vírus que já esteja instalada.
A vacinação também não substitui o acompanhamento e o rastreamento do câncer do colo do útero na idade recomendada. O uso de preservativos continua sendo uma medida importante para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis, embora não elimine completamente a possibilidade de transmissão do HPV.
As doses estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em outros pontos de vacinação do SUS.
Quem não sabe se recebeu a vacina pode consultar a caderneta de vacinação ou verificar os registros disponíveis no aplicativo Meu SUS Digital. Caso não encontre a informação, a orientação é procurar uma unidade de saúde para que a situação seja avaliada pela equipe.
No município do Rio de Janeiro, a população pode procurar clínicas da família, centros municipais de saúde e Super Centros Cariocas de Vacinação.
A recomendação é levar um documento de identificação e, quando disponível, a caderneta de vacinação.
Para adolescentes de 15 a 19 anos que perderam a oportunidade de receber a vacina na idade recomendada, o prazo da estratégia de resgate termina em 31 de dezembro de 2026.