Viúva Negra é o filme perfeito… para 10 anos atrás

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Depois de diversos adiamentos, totalizando 14 meses de atraso, Viúva Negra finalmente chega aos cinemas e ao Disney+, pelo valor de R$ 69,90 para o acesso antecipado. O filme se dedica a contar a história de Natasha Romanoff, interpretada pela atriz Scarlet Johansson, e dar uma despedida digna para a personagem, que teve um fim trágico em Vingadores: Ultimato. Porém, apesar de trazer uma boa diversão que a Marvel sabe fazer, a produção comprova que deveria ter sido lançada bem antes no Universo Cinematográfico da empresa.

Em 2010, quando Natasha apareceu pela primeira vez nos filmes da Marvel, participando de Homem de Ferro 2, a personagem já mostrava um grande potencial, protagonizando ótimas cenas de ação, extrema inteligência e referências dos quadrinhos. Desde então, os fãs começaram a esperar um filme solo da heroína, que, infelizmente, só se concretizou 10 anos depois, perdendo um timing em mostrar mais da personagem e nos fazer conhecer e apaixonar por ela logo de cara. O que aconteceu em seguida foi uma sucessão de participações em filmes, às vezes com roteiros que a valorizavam, como em Capitão América e o Soldado Invernal, e outros que a reduziram a um par romântico, como em Vingadores – A Era de Ultron.

Correndo atrás do prejuízo, e depois de tomar uma boa dose de coragem em finalmente investir em filmes de heroínas solo, a Marvel lança, nesta sexta-feira (9), a história sobre a origem de Natasha, mostrando um pouco da sua infância, família e acontecimentos que moldaram a sua personalidade, nos fazendo entender melhor diversas atitudes da personagem no decorrer da sua jornada ao lado dos Vingadores. A obra é inegavelmente um filme de espionagem, com uma atmosfera semelhante ao segundo filme do Capitão América e também Missão Impossível, contando, até mesmo, com cenas de ação que são bem familiares e comuns nesse estilo de produção.

Diferente do que se pensa, no filme, a Viúva Negra não é retratada como uma mulher fatal, fria e calculista, mas como uma pessoa “comum”, com diversos conflitos, fraquezas e que luta para superar suas limitações e alcançar seus objetivos, tomando decisões difíceis para ser bem sucedida em suas missões e salvar quem ama. Nesse aspecto, a produção cumpre com louvor a tarefa de apresentar a humanidade de uma heroína que na maioria das vezes é tida como insensível nos quadrinhos.

Como pontos positivos, a produção traz cenas de ação espetaculares, uma maior profundidade para a protagonista e um vilão que realmente oferece um desafio, além de abrir a possibilidades para novos filmes e séries do universo da Viúva Negra, mesmo que ela já tenha o seu fim definido, com sua morte no Universo Cinematográfico da Marvel.

Como principal ponto negativo, temos o verdadeiro atraso da obra, que seria perfeita para 10 anos atrás, quando ainda não estávamos calejados pela “fórmula Marvel”, que faz bons filmes, mas incomoda por ser muito segura, sem trazer inovações reais, algo que pensávamos que estava superado, uma vez que séries como Loki, WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal provaram que é possível explorar de formas bem diversificadas as histórias dos heróis.

Apesar de tudo, Viúva Negra é um bom filme, mas somente ser “bom” para a despedida de uma heroína que vem traçando sua trajetória há 10 anos, não deveria ser o suficiente. Dessa forma, nos resta torcer que a Marvel não perca mais oportunidades de ouro para dar destaques aos seus heróis, colocando-os nas telonas (ou nos streamings) o quanto antes.

Jonny Sales é aficionado pelo mundo nerd, que acompanha, debate e vivencia, seja numa roda de amigos, ou em suas redes sociais.