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Política

Governador e deputado duelam sobre racismo após confusão no Rio

Dayse Alvarenga | Publicado em:

Reprodução / Redes Sociais


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Após a confusão entre parlamentares e guardas municipais durante a desocupação em um prédio no centro do Rio neste domingo (7), ocorreu um embate sobre racismo nas redes sociais envolvendo o governador Cláudio Castro e o deputado estadual Josemar Carvalho (PSOL). 

O governador do Rio postou primeiro que o deputado federal Tarcísio Motta, como branco, intimidou um guarda municipal negro. Em resposta, o deputado rebateu que Castro deveria ter sido solidário com ele (Josemar) que foi agredido e os manifestantes também negros que lutavam por moradia. 



“Um deputado federal branco dando carteirada em um guarda municipal negro. Se fosse alguém  da direita, como ia ser esses movimentos sociais? Voltou a época do que sabe com quem você está falando? Época sombria da política brasileira. Quero deixar meu repúdio e saber o que o PSOL vai falar sobre isso”, disse o governador. 

Em resposta, o deputado Josemar questionou a tentativa de debate racial proposta pelo governador do Rio. 

“Eu fui agredido e nenhuma palavra do governador em minha solidariedade ou em solidariedade às família, de maioria negra, que lutam por moradia. Mude a política de segurança que extermina negros e negras nas periferias”, rebateu o parlamentar que também criticou as políticas públicas de educação e de valorização dos servidores estaduais. 

“Que também que você pense sobre a política educacional, que respeite a lei 10.639, que produza cartilhas para a lei Vini Jr, de minha autoria e que combate atitudes racistas nos estádios, avançar. Os profissionais de Educação não recebem o piso nacional, trabalhadores da Saúde são desrespeitados e os policiais não têm uma política de assistência social”, discursou. 

Procurado, o governador Cláudio Castro não respondeu às críticas do deputado Josemar até publicação desta reportagem. 

Confusão durante desocupação 

Houve tumulto e uso de gás de pimenta por policiais militares e guardas municipais durante a retirada de cerca de 100 famílias de um prédio na Avenida Venezuela, na região portuária do Rio. Uma pessoa foi presa e duas ficaram feridas e levadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar.

Os organizadores afirmaram que a ocupação buscava reivindicar moradia popular em um prédio abandonado e sem função social.

Os deputados Tarcísio Motta e Josemar contaram que estavam no local para acompanhar a operação, quando houve atos de violência por parte dos agentes de segurança. Ainda segundo Motta, as famílias estavam em um terreno da União previsto para ser utilizado no programa “Imóvel da Gente”, voltado à destinação de imóveis públicos para habitação social.

Avaliação do movimento negro 

“Cláudio Castro que implementa uma necropolítica na segurança pública com ocupações e repressão diária nas favelas e periferias, onde mora a maioria das população negra, não tem moral pra denunciar o deputado Tarcísio Motta de tentar intimidar um trabalhador negro. Sua política de segurança mata crianças, adolescentes, mulheres e idosos negros diariamente nas favelas e periferias de nosso estado”, disse Marcelo Dias, diretor do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras.

Dayse Alvarenga

Jornalista formada pela UFF e com passagens em outros jornais de Niterói e São Gonçalo nas funções de repórter, chefe de reportagem e editora. Também atuou como assessora de imprensa em agências de comunicação no Rio.

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