O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que pretende autorizar a quebra de seus sigilos bancário e telefônico, além dos dados de familiares, e cobrou que Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, adote a mesma medida. O petista afirmou que entregará o documento ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (20), em meio à troca de acusações entre os dois candidatos.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), durante um pronunciamento à imprensa antes de um ato de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, Lula também defendeu a inclusão dos cinco filhos e da mulher na autorização, alegando que pretende responder a acusações envolvendo seus familiares.
“Vou entregar isso amanhã no TSE na expectativa que o candidato adversário apresente proposta para abrir seu sigilo, das suas empresas e família”, declarou o presidente.
Durante o evento político, Lula voltou a cobrar transparência do adversário e questionou a origem do patrimônio atribuído ao senador. Em um cartaz, o petista escreveu a frase “abre o sigilo Flávio”, reforçando o desafio lançado ao candidato do PL.
O presidente também mencionou o Banco Master e uma suposta compra de imóvel à vista, usando os valores para justificar a cobrança por esclarecimentos públicos.
“Amanhã entregarei minha procuração para abrir sigilo dos meus filhos, meu e da minha mulher e eu queria que ele abra o dele, do pai e dos irmãos dele. Eu quero saber onde está os R$ 134 milhões do banco master, quero saber como ele comprou casa de R$ 10 milhões a vista com salário que ele ganha igual ao meu”, afirmou.
Quem não deve, não teme: estou abrindo meus sigilos e desafio Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo, incluindo suas empresas e sua família. O Brasil merece transparência. Na hora de votar, é preciso saber quem está do outro lado. Essa é uma luta pela minha honra, pela minha família e pelo futuro do Brasil.
— Lula (@LulaOficial) October 19, 2026
Lula cita família e defesa da própria imagem
Ao explicar a decisão, o presidente disse que resolveu incluir os cinco filhos na autorização para evitar que acusações eleitorais continuem atingindo seus familiares. Lula é pai de Lulinha, Lurian, Marcos, Sandro e Luis Claudio.
O petista afirmou que considera a disputa eleitoral sua última candidatura e disse que não pretende permanecer em silêncio diante de acusações que, segundo ele, colocam em dúvida sua trajetória política.
“Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra minha família e eu resolvi não ficar quieto. Essa é minha última disputa eleitoral e não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo. Isso é em defesa da minha honra, da honra da minha família e sobretudo na defesa desse país que não pode ter um ladrão governando esse país”, declarou.
Proposta surgiu em debate presidencial
A iniciativa foi apresentada por Lula durante o debate presidencial realizado no domingo (18), quando o presidente propôs que os dois candidatos autorizassem o acesso às contas bancárias e aos registros telefônicos antes da eleição.
Flávio Bolsonaro afirmou que não tem “absolutamente nada a esconder”, mas não confirmou se pretende formalizar a autorização para a quebra dos próprios sigilos.
O confronto de domingo marcou o primeiro debate desta eleição em que Lula e Flávio se enfrentaram diretamente. Durante o encontro, os dois trocaram acusações relacionadas a investigações criminais envolvendo aliados e familiares.
Com a entrega do documento prevista para esta terça-feira, o presidente tenta transformar a proposta de abertura de sigilos em um novo ponto de pressão sobre o adversário. Até o momento, porém, Flávio não anunciou se seguirá o mesmo caminho.