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Política

Limites às taxas de juros serão tema de debate no Senado

Redação | Publicado em:

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senador weverton
Relator da PEC que estabelece um teto às taxas de juros, senador Weverton convidou economistas, como Armínio Fraga e André Lara Resende, e representantes de instituições financeiras. Foto: Marcos Oliveira – Agência Senado



A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, na quarta-feira (11), requerimento de audiência pública para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 79/2019, que pretende estabelecer limites às taxas de juros aplicadas pelos bancos em operações de crédito. O senador Weverton (PDT-MA), relator da proposta, pediu o debate.



“O objetivo da audiência pública é discutir a conveniência de se estabelecer na Constituição Federal limites às taxas de juros, bem como debater o altíssimo spread bancário brasileiro”, justificou o senador.



Para o debate, foram convidados:



– Eduardo Moreira, economista;



– André Lara Rezende, economista;



– Armínio Fraga, economista;



– Luiz Gonzaga Belluzzo, economista;



– José Luís da Costa Oreiro, economista;



– Mauro Benevides Filho, deputado federal, professor e economista;



– representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF);



– representante da Federação Brasileira de Bancos (Febraban);



– representante do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor; e



– representante do Banco Central.



Taxas abusivas



A PEC 79/2019 é de autoria da senadora Zenaide Maia (Pros-RN) e pretende estabelecer um teto para as taxas de juros aplicadas pelos bancos em operações de crédito, de até três vezes a taxa decidida pelo Banco Central.



Para Zenaide Maia (Pros-RN), a proposta preenche uma lacuna deixada no texto constitucional. Quando foi promulgada, a Constituição contava com um dispositivo que limitava as taxas de juros a 12% ao ano — qualquer cobrança acima disso seria enquadrada como crime de usura.



No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) entendeu que a regra não era autoaplicável, ou seja, dependia de regulamentação em uma lei específica. A lei nunca veio, e, em 2003, o dispositivo foi revogado.



“Assim, permaneceu sem tutela estatal a fixação das taxas de juros no Brasil, o que tem permitido às instituições financeiras a cobrança de taxas abusivas, especialmente naquelas operações que não exigem maior esforço do tomador para sua contratação, como o cheque especial e o cartão de crédito”, explica a senadora em sua justificativa para a PEC.



Zenaide destaca que um limite fixo, como a Constituição originalmente previa, poderia “engessar” a política monetária do Banco Central. Por isso, sua proposta optou por outro caminho: deixar o Banco Central livre para estabelecer uma taxa básica e impor o limite sempre a partir dela.



A audiência ainda não tem data agendada.


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