A Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou, nesta quarta-feira (29), que vai investigar possíveis arbitrariedades cometidas durante a megaoperação policial que deixou 119 de mortos, sendo quatro policiais, nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
O presidente da comissão, Sidney Guerra, está acompanhando a retirada dos corpos em uma área de mata da Penha, conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos mais violentos da operação.
“Estamos aqui acompanhando toda a movimentação relacionada à retirada desses corpos, esse número já ultrapassa 100. Estamos exatamente para acompanhar, em nome da sociedade civil, as possíveis arbitrariedades que tenham sido cometidas. A OAB se solidariza com toda a sociedade e com os familiares das vítimas e também dos policiais”, declarou Sidney Guerra.
Às 12h10, mais dois corpos foram levados para a Praça São Lucas, na parte baixa da Penha, onde dezenas de cadáveres foram enfileirados por moradores.
Atendimento da Alerj
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDDHC) também fez atendimentos in loco nos complexos do Alemão e Penha para acompanhar os desdobramentos da operação policial.
Na terça-feira (28), a Comissão oficiou o Ministério Público do Estado, a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), responsável pelo comitê de monitoramento da ADPF 635, solicitando informações urgentes sobre o planejamento, a execução e as responsabilidades pela ação. O documento também pede especial atenção ao uso da força nesse contexto de operação.
“Neste momento, nossa prioridade é fazer escuta territorial, além de estar com as famílias, oferecendo apoio no reconhecimento dos corpos e cobrando explicações do governo estadual. O que vimos no Alemão e na Penha é o retrato de um Estado que perdeu qualquer limite. Com Cláudio Castro, a política de segurança virou, de vez, a política de extermínio, e as favelas seguem pagando a conta com sangue e silêncio. Virar a madrugada contando corpos não pode ser rotina de um Estado de direito sem pena de morte. O Rio precisa de justiça, não de chacinas eleitoreiras fantasiadas de operação policial”, afirmou a deputada Dani Monteiro, presidenta da Comissão.
A operação
A Operação Contenção, segundo o Governo do Estado, tinha como meta cumprir mandados judiciais e desarticular a liderança do Comando Vermelho (CV). O confronto entre criminosos e forças de segurança resultou também na morte de quatro policiais e foi classificado como o mais letal da história do Rio de Janeiro.