O que seria uma noite de celebração do carnaval terminou em registro de agressão e xingamentos para uma moradora de Niterói, de 25 anos, que afirma ter sido vítima de violência dentro do Sambódromo Marquês de Sapucaí, na madrugada do desfile que acompanhava ao lado do namorado e de duas amigas.
Assessora de comunicação, ela contou ao ENFOCO que chegou ao setor 12 por volta de 0h10 para assistir à apresentação da sua escola, Unidos do Viradouro. Poucos minutos depois, segundo o relato, uma discussão por espaço na arquibancada deu início à confusão.
“Chegamos e um grupo de quatro homens começou a discutir por causa do lugar onde estávamos. Eles disseram que não podíamos ficar ali porque seria onde iriam sentar. Argumentamos que havia espaço para todos, mas a discussão escalou muito rápido”, afirmou.
De acordo com a vítima, a situação evoluiu para agressão física. “Me xingaram e um deles me empurrou para garantir o lugar. Arranhei a perna e quase caí em cima de uma criança que estava sentada atrás de mim. Poderia ter machucado alguém. O ambiente era familiar, não havia nenhuma necessidade disso”, disse.
“Falei que ele estava agredindo uma mulher e que isso era crime. Ele debochou e respondeu: ‘chama lá, não estou nem aí’.”
O grupo decidiu se afastar após as ameaças, mas afirma que as hostilidades continuaram. “Botaram o dedo no meu rosto, fizeram ofensas e disseram que, se fosse lá fora, a gente ia ver”.
Busca por ajuda
A assessora afirma que procurou agentes de segurança dentro do Sambódromo e aguardou cerca de dez minutos para que a acompanhassem até o local onde os suspeitos estavam. No entanto, os homens já haviam saído dali quando a equipe chegou.
Segundo ela, o reencontro ocorreu apenas ao fim do desfile. “Quando saíram juntos, tentamos abordá-los para levá-los à delegacia. Nesse momento, um deles me agrediu novamente e tentou quebrar meu celular para apagar as imagens”.
O aparelho, que ela diz usar como ferramenta de trabalho, caiu no chão durante o tumulto. A confusão se generalizou.
“Entre empurrões e chutes, consegui pegar o celular enquanto um atacava meu namorado e outros dois agrediam minha amiga. Ela foi encurralada e atingida com um saco de gelo no rosto.”
A vítima afirma ainda que o namorado teve pertences roubados por um dos agressores. “Temos vídeo dele saindo com os objetos do meu companheiro”, declarou ao site.
Críticas à atuação da segurança
Segundo a vítima, a atuação da equipe responsável pela segurança do evento foi insuficiente para conter a situação e garantir a integridade dos presentes. Ela relata que, mesmo após procurar ajuda e apontar os agressores, não houve intervenção eficaz para impedir novas agressões.
“O relato aponta falhas na intervenção durante o episódio. Os seguranças não os impediram. Um deles saiu dos portões me puxando pelos cabelos enquanto outro segurança me segurava”, disse.
Ela afirma ter ouvido de um homem que se apresentou como chefe da equipe uma justificativa que a revoltou. “Ele disse que era mais fácil segurar a gente, que éramos três mulheres e um homem, do que eles, que eram quatro homens grandes.”
Consequências
Após a confusão, os envolvidos buscaram atendimento das autoridades presentes no local e não conseguiram mais retornar ao clima de festa que marcou o início da noite. O episódio alterou a programação do grupo, que precisou lidar com registros policiais e cuidados médicos ainda dentro do evento, no Sambódromo Marquês de Sapucaí.
Parte da noite foi passada em atendimento no posto policial instalado no Sambódromo. “O maior dano, apesar da agressão, foi o desgaste mental e emocional. A gente não sai de casa para se divertir esperando ser agredido e roubado com dezenas de testemunhas, inclusive a segurança, e ninguém intervir”, afirmou a assessora.
Uma das amigas precisou ser levada ao hospital e realizou tomografia após fortes dores de cabeça. O namorado teve ferimentos leves.
Em nota, a Polícia Civil informou que “o caso foi registrado na 6ª DP (Cidade Nova), na terça-feira (17)”. Segundo a corporação, “as vítimas prestaram depoimento e foram encaminhadas para exame de corpo de delito. As diligências estão em andamento para identificar a autoria e esclarecer os fatos”.
A reportagem também procurou a Liesa para comentar sobre a atuação da equipe de segurança, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.