A campanha de imunização contra a chikungunya teve início nesta semana em Minas Gerais, marcando a primeira utilização do novo imunizante em território nacional. As doses começaram a ser aplicadas simultaneamente nos municípios de Sabará, Congonhas, Sete Lagoas e Santa Luzia, escolhidos para integrar uma etapa inicial de avaliação da estratégia de vacinação.
Sabará foi a primeira cidade do estado a iniciar a aplicação do imunizante, desenvolvido pelo Butantan, em uma ação considerada piloto pela Secretaria Estadual de Saúde. A proposta é testar a logística, a adesão do público e o impacto epidemiológico antes de uma ampliação para outras regiões.
A vacina recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2025, tornando-se a primeira autorizada no país para prevenção da chikungunya. Segundo o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, os municípios selecionados fazem parte de um grupo onde toda a população elegível será convocada para vacinação, permitindo análise mais abrangente dos resultados.
De acordo com o secretário, o imunizante já obteve aval regulatório em mercados internacionais, como Europa, Estados Unidos e Canadá, mas ainda apresenta custo elevado nesses locais. A produção nacional busca viabilizar acesso mais amplo. “A proposta é oferecer uma alternativa com menor custo e que possa ser distribuída em larga escala no Brasil”, afirmou.
O esquema vacinal prevê dose única para pessoas entre 18 e 59 anos. Por utilizar vírus atenuado, a aplicação não é indicada para indivíduos com imunossupressão ou portadores de determinadas doenças graves, conforme orientação das autoridades sanitárias.
Dados apresentados pela secretaria apontam que a resposta imunológica observada alcança cerca de 99% de proteção contra formas graves da doença.
Minas Gerais recebeu, nesta primeira remessa, 28.800 doses. A aplicação já está disponível em Sabará e será mantida nas próximas semanas, enquanto o governo estadual acompanha os indicadores do projeto. A expectativa é que, após essa fase de monitoramento, a vacinação seja expandida para a capital, Belo Horizonte, e posteriormente para outros estados, conforme avaliação do Ministério da Saúde e capacidade de produção.