O delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, titular da 44ª Delegacia de Polícia (Inhaúma), foi preso na manhã desta terça-feira (10) durante a segunda fase da Operação Anomalia, conduzida pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. A investigação apura um esquema de extorsão envolvendo policiais civis que, segundo a PF, cobravam propina de traficantes da facção Comando Vermelho (CV) em troca de omissão em ações policiais.
A ação desta terça resultou na prisão de três policiais civis e no cumprimento de mandados contra um traficante que já se encontrava preso. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e fazem parte do aprofundamento das investigações iniciadas na primeira etapa da operação.
A segunda fase da Operação Anomalia busca desarticular uma rede suspeita de ligação entre integrantes do crime organizado e agentes públicos. De acordo com a Polícia Federal, os policiais investigados utilizavam a estrutura do Estado para pressionar lideranças do tráfico.
Segundo a corporação, os agentes emitiam intimações com o objetivo de coagir traficantes e exigir pagamentos para evitar ações policiais contra membros da facção criminosa.
De acordo com a PF, a prática era recorrente. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício, informou a instituição.
No total, os agentes federais saíram às ruas para cumprir quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos estão:
- Marcus Henrique de Oliveira Alves, delegado da Polícia Civil, preso nesta terça-feira;
- Franklin José de Oliveira Alves, policial civil, preso na operação;
- Leandro Moutinho de Deus, policial civil, preso na operação;
- Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como traficante e que já estava encarcerado.
As investigações indicam que intermediários eram usados para receber os valores ilícitos, estratégia que, segundo a PF, servia para manter distância direta entre os policiais e as lideranças da facção.
Além das prisões, o STF determinou o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, além da suspensão das atividades empresariais de empresas ligadas ao grupo.
A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias e de criptoativos associados aos investigados.
Segundo a área de inteligência financeira da Polícia Federal, os agentes apresentavam movimentações patrimoniais consideradas incompatíveis com seus salários no serviço público.
De acordo com os investigadores, o esquema também utilizava empresas de fachada registradas em nome de familiares para ocultar e dissimular a origem do dinheiro obtido ilegalmente.
A Operação Anomalia teve sua primeira etapa deflagrada na segunda-feira (9). Na ocasião, três pessoas foram presas, incluindo um delegado da própria Polícia Federal.