A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Anomalia, que investiga possíveis ligações entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio de Janeiro.
Nesta etapa, o foco da ação são policiais militares suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas e com milícias. Até a última atualização desta reportagem, seis PMs haviam sido presos.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal, equipes cumpriram sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas em bairros da capital fluminense — Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz — além dos municípios de Nova Iguaçu e Nilópolis. A operação contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
O STF determinou o afastamento imediato das funções públicas de todos os investigados, além de autorizar a quebra do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos.
Segundo a Polícia Federal (PF), os policiais militares investigados teriam utilizado as prerrogativas da farda e do cargo público para favorecer atividades do crime organizado.
As apurações indicam a existência de uma estrutura que não apenas oferecia apoio logístico a redes de tráfico e milícias, mas também atuava na proteção de criminosos e na ocultação de recursos obtidos de forma ilegal.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os PMs poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.
Etapas anteriores
Esta é a terceira operação realizada pela PF, em sequência, por determinação do STF, com foco em suspeitas envolvendo agentes públicos.
Na segunda-feira (9), três pessoas foram presas durante a ação, entre elas um delegado da própria Polícia Federal, investigado por suposto favorecimento a um traficante natural de Curaçao.
Já na terça-feira (10), outros quatro mandados de prisão foram cumpridos. Um dos detidos é um delegado da Polícia Civil do estado do Rio, apontado como líder de um esquema de extorsão contra traficantes.