A segurança pública brasileira vive um dia de mobilização intensa nesta quarta-feira (18). Sob a coordenação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), foi deflagrada a Operação Força Integrada, uma ofensiva de larga escala que atinge 15 estados da Federação simultaneamente. O objetivo é asfixiar a estrutura operacional e financeira de facções criminosas envolvidas com o tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos.
Ao todo, os agentes mobilizados estão nas ruas para o cumprimento de 181 mandados de busca e apreensão e 112 mandados de prisão. A ação é fruto de meses de inteligência e cruzamento de dados entre diferentes esferas policiais, visando não apenas a captura de lideranças, mas a desarticulação de todo o ecossistema que sustenta o crime organizado no Brasil.
Força tarefa contra o crime organizado

As FICCOs representam um modelo de gestão em segurança pública baseado no conceito de força-tarefa. Diferente do modelo tradicional, onde as instituições atuam de forma isolada, aqui há uma coordenação unificada pela Polícia Federal, mas sem hierarquia rígida entre os participantes.
O efetivo empregado nesta quarta-feira conta com profissionais das Polícias Civis, Militares e Penais, além de Guardas Municipais, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) e as secretarias estaduais de segurança. Atualmente, existem 39 unidades das FICCOs operando em todos os estados e no Distrito Federal.
O balanço parcial de 2025 já aponta o sucesso dessa estratégia: até o momento, foram realizadas 246 operações, totalizando mais de dois mil mandados de busca e 1.500 prisões efetuadas.
Destaques regionais: de São Paulo ao Maranhão
A Operação Força Integrada se desdobra em frentes específicas, adaptadas à realidade criminal de cada região. Confira os principais alvos:
Sudeste: Golpes no Comando Vermelho e desvios internos
Em Campinas (SP), a Operação Dry Fall mira uma célula do Comando Vermelho (CV) com forte atuação no interior paulista. Além dos 37 mandados de prisão, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 70 milhões em contas bancárias ligadas ao grupo. Já em Vitória (ES), a Operação Turquia II investiga um crime sensível: o desvio e a revenda de entorpecentes que já haviam sido apreendidos pelas próprias forças de segurança.
Nordeste: Pizzaria de fachada e bloqueios milionários
No Maranhão, a Operação Ictio revelou um esquema sofisticado de lavagem de capitais através de empresas fantasmas para ocultar o lucro do tráfico de cocaína e crack. O bloqueio financeiro determinado chega a R$ 297 milhões. Em Alagoas, a curiosidade da Operação Última Fatia foi o uso de uma pizzaria em Satuba como fachada para atividades ilícitas, demonstrando como o crime se infiltra no comércio local.
Norte e Sul: Logística e disputa territorial
No Amazonas, o foco foi o Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de Manaus, utilizado para o escoamento de drogas. No Paraná, a Operação Blue Sky combateu o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) em cinco cidades, incluindo Foz do Iguaçu, em uma disputa territorial violenta que colocava em risco a população do interior paranaense.
Resumo das ações por Estado
| Operação | Estado | Foco Principal | Bloqueios/Ações |
| Dry Fall | SP | Facção Comando Vermelho | R$ 70 milhões |
| Ictio | MA | Lavagem de dinheiro | R$ 297 milhões |
| Roça | PE | Roubo de carga e tráfico | R$ 5 milhões |
| Blue Sky | PR | Facção PCC e disputas | 23 buscas |
| Célula Oculta | RS | Tráfico na Serra Gaúcha | 11 prisões |
| Última Fatia | AL | Fachada (Pizzaria) | Quebra de sigilo |