O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), agendou para esta segunda-feira (23) um evento restrito a convidados no qual deve oficializar sua saída do cargo. O encontro será organizado no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, e o convite foi enviado a aliados e integrantes do governo ao longo do fim de semana.
Com a renúncia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, assumirá interinamente o comando do estado e deverá convocar eleições indiretas para definir o ocupante do cargo até o término do mandato, em 2026.
Na última sexta-feira (20), o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, já havia indicado que Castro deixaria o posto nesta data. A possibilidade vinha sendo considerada desde que o nome do governador passou a ser julgado no Tribunal Superior Eleitoral, em um processo que pode resultar na perda do mandato e em inelegibilidade por oito anos. O julgamento estava com placar de 2 a 0 pela cassação até ser interrompido por pedido de vista do ministro Nunes Marques.
A chapa de Castro é alvo de investigação por suposto abuso de poder político e econômico, além de irregularidades no uso de recursos eleitorais. As apurações envolvem contratos e programas vinculados à Fundação Ceperj e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com suspeitas de contratações sem concurso e uso da máquina pública com finalidade eleitoral.
Além do cenário jurídico, Castro também cogita disputar uma vaga no Senado, o que exigiria sua desincompatibilização do cargo até o início de abril. Nos últimos dias, ele também promoveu a exoneração de 11 secretários, que devem concorrer nas eleições de outubro.
Eduardo Paes critica renuncia
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que pretende disputar o governo estadual pelo PSD, criticou a forma como está sendo organizada a despedida de Cláudio Castro.
Em declaração pública, Paes afirmou que a saída do governador vai além de um encerramento natural de mandato, sugerindo que a decisão pode estar relacionada à tentativa de evitar eventuais punições. Ele também levantou questionamentos sobre a atuação política do grupo aliado a Castro e sobre uma possível influência na definição de quem assumirá o comando do estado.