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Saúde & Bem-Estar

Chile torna obrigatório uso de máscaras para combater aumento da gripe; por que a medida não chega no Brasil?

João Alves | Publicado em:

Por que o Brasil não utiliza máscaras, prática adotada em parte do mundo?
Uso da proteção se tornou um breve hábito durante a pandemia de Covid-19. Foto: Freepik

O Ministério da Saúde do Chile, vizinho do Brasil, anunciou, nesta quarta-feira (26), que o uso de máscaras em ambientes públicos voltará a ser obrigatório, a fim de combater o aumento dos casos de doenças respiratórias no país. Com a medida, surge a dúvida: Por que o Brasil corre contrário a outros países no tema?

A medida do governo chileno valerá do dia 1° de abril até o fim de agosto, no dia 31. Segundo a Secretaria de Saúde, o objetivo da obrigatoriedade é diminuir a circulação de vírus sazonais no Chile.

O uso de máscaras fora de casa é um hábito comum em alguns locais ao redor do mundo. Do outro lado do globo, no Oriente, países asiáticos carregam a cultura de utilizar máscaras em ambientes públicos, em casos de gripe, e principalmente em redes hospitalares, onde a circulação de infectados se concentra.

Durante a pandemia de covid-19, países como a Coreia do Sul e Japão se destacaram no ranking mundial de combate ao coronavírus, com desempenhos exemplares em segurança sanitária e vacinação. No Brasil, a adoção do uso de máscaras foi ampla e incentivada, principalmente, em hospitais e postos de saúde.


Máscaras no Brasil e o hábito

Se a medida é forma de exemplo no combate à doenças respiratórias pelo mundo, e o Brasil já adotou a prática em outros tempos, então por que o hábito não se forma em sociedade? O professor de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Ricardo Araújo, explica a questão e aprofunda o assunto.

Questionado, o profissional respondeu que a adoção completa das máscaras não é tão simples, e que depende de inúmeros fatores sociais e climáticos.

“Depende muito da circulação dos vírus em cada país. Clima, hábitos culturais, educação da população e uso correto do equipamento de proteção individual (no caso a máscara). Em algumas situações pontuais, como surtos localizados, é interessante considerar o uso”, explicou.

Quando perguntado sobre a comparação entre o Brasil e outros países, como Japão e Coreia do Sul, o professor apontou que “cada país possui uma peculiaridade”, e que os brasileiros vivem uma realidade diferente de outros locais, sendo necessário uma análise específica para o caso.

“Por ser um país continental, a sazonalidade do Brasil não é igual em todos os estados. Não há como estabelecer um fluxo único ao mesmo tempo para o país todo”, concluiu o docente.

João Alves

Amante do cinema, se descobriu no jornalismo através de conversas e boas histórias. É focado em contar os relatos de quem vive o dia a dia no Rio de Janeiro, sempre atento às denúncias dos leitores.

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