A Assembleia Geral da ONU reconheceu, nesta última quarta-feira (25), através de uma votação, que o tráfico transatlântico de africanos escravizados foi o crime mais grave contra a humanidade já registrado na história.
A votação causou controvérsia. Em discurso, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que o combate ao racismo é impossivel de se dissociar do processo escravocrata sofrido por povos africanos no passado.
Segundo Guterres, as populações de ascendência africana ainda sofrem barreiras para o desenvolvimento social pleno, que devem ser quebradas. O texto da organização também deixou como incentivo que os países responsáveis pelo tráfico de escravizados emitam pedidos de desculpas formais.
Votos a favor e contra na ONU
A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, país da Africa Ocidental. Ao todo, foram 123 votos favoráveis, 3 contra e 52 abstenções. Confira a tabela:

O Brasil, que foi porto para o tráfico de povos escravizados por séculos, votou a favor do documento. Prática abolida apenas em 1888, o país foi o último das Américas a tornar proibida a escravidão, e um dos últimos do mundo, recebendo mais de 4 milhões de escravizados ao longo da história.
Contra o consenso, votaram apenas os representantes dos Estados Unidos, Israel e Argentina. Em declaração, o americano Dan Negrea, representante dos EUA, afirmou que o país não reconhece reparações para os atos, já que, na época, a prática não era considerada ilegal.
Via Onu News