A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) escolheu, em votação extraordinária nesta quinta-feira (26), o deputado estadual Douglas Ruas (PL) para comandar a Casa. Com 45 votos favoráveis, ele assume o posto em meio às consequências de uma decisão da Justiça Eleitoral que afastou a antiga cúpula do Legislativo fluminense.
A eleição foi convocada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a perda de mandato de Rodrigo Bacellar, que havia sido reconduzido ao cargo no início de 2025 com apoio unânime dos parlamentares. Com a mudança, Ruas passa a ocupar posição estratégica na linha sucessória do governo do estado.
Desde o afastamento de Bacellar, a presidência vinha sendo exercida interinamente pelo primeiro vice-presidente da Casa, Delaroli, até a realização da nova escolha.
O processo ocorre em meio a uma sequência de episódios que ampliaram a crise política envolvendo o comando da Alerj. Bacellar já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de vazamento de informações sigilosas. Ele chegou a ser preso preventivamente no fim de 2025, mas deixou a prisão após obter liberdade provisória, sem retomar a função.
Mandato cassado
Na quarta-feira (25), o TSE também decidiu tornar inelegíveis por oito anos o ex-governador Cláudio Castro (PL), o ex-vice-governador Thiago Pampolha e o próprio Bacellar. A decisão foi tomada após análise de recurso do Ministério Público Eleitoral contra entendimento anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ).
Os três foram acusados de participação em um esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj, que teria envolvido cerca de 27 mil cargos temporários. Segundo as investigações, as vagas teriam sido utilizadas para empregar aliados políticos e reforçar a campanha de reeleição ao governo estadual.
Com a decisão, o cenário político no estado segue em reconfiguração, atingindo diretamente a estrutura de poder no Legislativo e no Executivo fluminense.