“Ela era a minha melhor amiga. Todos aqui no Gradim gostavam dela.” Esse foi o relato de uma vendedora de panos, que não conteve as lágrimas ao lembrar da melhor amiga, a cuidadora de idosos Ana Lúcia Alves, de 64 anos, que morreu carbonizada dentro da própria casa, na noite desta segunda-feira (27), na Rua Paul Leroux, no Gradim, em São Gonçalo.
Na manhã desta terça-feira (28), o clima era de tristeza entre os vizinhos. Na residência onde Ana Lúcia vivia há mais de 50 anos, ficaram as marcas do incêndio nas janelas e nas paredes.

Segundo a vendedora de panos, ela encontrou Ana Lúcia, que estava indo para o trabalho, na última sexta-feira (24). Esse foi o último contato com a vítima que deixou um casal de filhos adultos e netos.
“Na sexta-feira passada ela estava saindo de casa e indo para o trabalho. Eu até falei para ela se cuidar. Ela sempre se preocupava com os outros. Era uma pessoa maravilhosa, tinha boca e nem falava direito”, contou.
De acordo com vizinhos, Ana Lúcia morava sozinha e, há cinco meses, se envolveu em um relacionamento com o homem que estava na casa na noite do incêndio. Ele tentou impedir os vizinhos de apagarem o fogo.
“A gente sempre falou para ela tomar cuidado com esse homem. Inclusive, esses dias mesmo falamos sobre os casos de mulheres sendo mortas por homens. Ontem, as crianças que estavam na rua viram o fogo e chamaram os adultos. O pessoal veio correndo e tentou entrar na casa, mas o companheiro dela tentou impedir. Ele foi agredido por populares”, contou um morador que preferiu não se identificar.
A Polícia Militar informou que, segundo o comando do 1º BPM (Venda da Cruz), policiais foram acionados para a ocorrência. No local, populares informaram que um homem ateou fogo na residência com a companheira dentro. Os bombeiros localizaram o corpo da vítima carbonizado no interior da casa. O acusado foi levado ao pronto-socorro e, posteriormente, à 73ª DP (Neves). Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado como incêndio com resultado morte. O homem foi preso.
Até às 12h, familiares ainda estavam realizando o procedimento para liberar o corpo de Ana Lúcia do Instituto Médico Legal (IML), de Tribobó.