Cerca de 18 milhões de famílias brasileiras receberam, em 2025, recursos de algum programa social do governo federal. O dado integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na última sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
A proporção desses programas havia sido maior em 2024, quando 23,6% dos domicílios eram beneficiários. Em 2019, antes da pandemia de covid-19, o índice era de 17,9%. A variação no período indica a inclusão de cerca de 5,5 milhões de famílias em programas de assistência ao longo de seis anos.
O levantamento considera iniciativas federais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência. Também entram no cálculo programas de estados e municípios.
Os dados mostram que, durante a pandemia, em 2020, houve expansão no número de beneficiários, alcançando 22,2 milhões de famílias, o equivalente a 31,4% dos lares. Nos anos seguintes, ocorreu uma redução, embora os índices tenham permanecido acima do patamar registrado antes da crise sanitária.
Veja a evolução dos números:
| Ano | Família beneficiadas |
| 2019 | 17,9% |
| 2020 | 31,4% |
| 2021 | 25% |
| 2022 | 20,7% |
| 2023 | 23% |
| 2024 | 23,6% |
| 2025 | 22,7% |
Segundo os pesquisadores, o levantamento também destaca que o nível de desemprego em 2025 foi o mais baixo da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.
Valor dos benefícios
Em 2025, o rendimento médio proveniente de programas sociais foi de R$ 870, levemente abaixo do registrado em 2024 (R$ 875). Em comparação com 2019, quando o valor era de R$ 508, houve aumento real de 71,3%, já descontada a inflação.
O IBGE observa que, a partir de 2020, durante a pandemia, houve ampliação da cobertura dos programas sociais. No âmbito federal, o Bolsa Família, que em diferentes momentos recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil, passou a ter valor mínimo de R$ 600, patamar mantido até hoje.
Perfil dos beneficiários
Os dados indicam que os programas sociais se concentram em famílias de menor renda, tanto do trabalho quanto de outras fontes, como aposentadorias e pensões.
Em 2025, a renda média mensal por pessoa nos domicílios atendidos por programas sociais foi de R$ 886, enquanto nos lares sem esse tipo de benefício o valor chegou a R$ 2.787.
O Bolsa Família é o programa de maior alcance, presente em 17,2% dos domicílios brasileiros, o que equivale a aproximadamente 13,6 milhões de famílias. O critério de acesso exige renda mensal de até R$ 218 por pessoa.
Além do valor básico de R$ 600, o benefício pode ser ampliado conforme a composição familiar, como no caso de crianças e gestantes.
O BPC aparece em seguida, presente em 5,3% dos domicílios. Já outros programas sociais, incluindo iniciativas estaduais e municipais, alcançam 2,4% das famílias.
Diferenças regionais
A presença de benefícios sociais evidencia desigualdades regionais. No Nordeste, 39,8% dos domicílios recebem algum tipo de auxílio, seguido pelo Norte, com 38,8%.
No Sul, a proporção é bem menor, de 10,8%. O Sudeste aparece com 14,8%, enquanto o Centro-Oeste registra 17%.
No caso do Bolsa Família, estados do Norte e Nordeste concentram as maiores proporções de beneficiários, com destaque para unidades da Federação onde quase metade das famílias é atendida pelo programa. Já São Paulo e a região Sul apresentam os menores percentuais de cobertura.
Com Agência Brasil…