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Segurança Pública

Pesquisa aponta rejeição de moradores a operações policiais violentas

Redação | Publicado em:

Segundo os dados, 73% dos entrevistados afirmaram não concordar com o atual modelo de operações policiais/ Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma pesquisa inédita divulgada nesta semana aponta que nove a cada dez moradores de comunidades do Rio de Janeiro rejeita operações policiais com confronto armado nos moldes adotados atualmente nas favelas da capital fluminense.

O levantamento, intitulado “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?”, ouviu 4.080 pessoas em quatro grandes comunidades do Rio: Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha. As entrevistas foram realizadas presencialmente entre os dias 13 e 31 de janeiro deste ano, com 1.020 participantes em cada localidade.

O estudo foi elaborado por seis organizações da sociedade civil com atuação direta nas comunidades e coordenado por Eliana Sousa Silva.

Segundo os dados, 73% dos entrevistados afirmaram não concordar com o atual modelo de operações policiais. Outros 25% disseram apoiar as ações, enquanto 2% não responderam.

Quando questionados especificamente sobre a continuidade das operações no formato atual, 92% demonstraram reprovação. Entre eles, 68% defendem mudanças na forma de atuação policial, enquanto 24% acreditam que não deveriam ocorrer operações em favelas.

A pesquisa também revelou forte percepção de abusos durante as ações policiais. Para 91% dos moradores, há excessos e ilegalidades cometidos por agentes de segurança durante as operações. Mesmo entre os entrevistados favoráveis às incursões, 85% reconhecem que existem abusos.

Além disso, 90% dos participantes consideram inaceitáveis os excessos cometidos nas operações. Entre aqueles que são contra as ações policiais nas comunidades, o índice de rejeição à violência chega a 95%.

O estudo destaca ainda que apoiar operações policiais não significa concordar com práticas violentas ou violações de direitos. Entre os moradores favoráveis às ações, 74% também condenam abusos cometidos por policiais.

A pesquisa foi motivada pelo cenário frequente de confrontos armados nas comunidades. Apenas na Maré, entre 2023 e 2025, foram registradas 92 operações policiais com troca de tiros, deixando mortos e feridos.

Participaram da elaboração do levantamento as organizações Fala Roça, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Instituto Raízes em Movimento, Redes da Maré e A Rocinha Resiste.

O levantamento contou ainda com apoio de instituições acadêmicas e organizações ligadas à segurança pública e direitos humanos, como Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Com Agência Brasil…

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