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Segurança Pública

Caso Americanas: PF faz nova operação, e Justiça bloqueia R$ 54 bilhões

Redação | Publicado em: - Atualizado 4 meses atrás

Caso Americanas: PF faz nova operação, e Justiça bloqueia R$ 54 bilhões
PF realiza buscas no Rio e em São Paulo para aprofundar apuração sobre irregularidades contábeis - Foto: Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) realizou, nesta quinta-feira (25), uma nova etapa da investigação sobre a fraude contábil envolvendo as Americanas, com buscas em endereços ligados aos investigados no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de bens e valores dos alvos da operação até o limite de R$ 54 bilhões, valor estimado pelos investigadores como prejuízo causado pelas irregularidades apuradas.

A ação, chamada de segunda fase da Operação Disclosure, foi realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). Ao todo, nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, foram cumpridos por agentes federais.

Além dos nove mandados inicialmente autorizados, a PF obteve, ao longo das diligências desta quinta, uma nova ordem judicial de busca e apreensão. O mandado adicional foi cumprido no local de trabalho de um dos investigados, na sede de uma instituição financeira situada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.

Segundo a PF, os investigados teriam conhecimento de fraudes contábeis realizadas durante anos na companhia. As suspeitas envolvem operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), que teriam sido registrados nos balanços sem comprovação de origem econômica.

As investigações apontam, em tese, indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A operação também busca esclarecer se acionistas da empresa e representantes de instituições financeiras tiveram participação ou conhecimento das irregularidades.

A apuração indica que antigos executivos da companhia teriam criado mecanismos para alterar resultados financeiros, esconder dívidas e apresentar uma situação econômica diferente da realidade aos investidores. Conforme os investigadores, a valorização artificial das ações teria permitido ganhos financeiros por meio da negociação dos papéis e do recebimento de bônus ligados ao desempenho da empresa.

2ª fase da Operação Disclosure

Durante a nova etapa, policiais federais realizaram buscas em imóveis de investigados, incluindo um escritório e uma residência no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A operação tem como base documentos, depoimentos e acordos de colaboração obtidos ao longo das investigações. A suspeita é de que as irregularidades tenham sido mantidas por anos antes de serem reveladas publicamente.

O caso veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando as Americanas informaram ter identificado inconsistências em seus registros contábeis. Na época, a empresa apontou inicialmente um impacto de cerca de R$ 20 bilhões e entrou com pedido de recuperação judicial.

Em março deste ano, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da companhia após o indiciamento realizado pela PF. Segundo a denúncia, o grupo teria atuado para alterar resultados financeiros, prejudicar investidores e esconder a situação patrimonial da empresa.

Os denunciados respondem por crimes como organização criminosa, manipulação de mercado, falsidade ideológica e, em alguns casos, uso de informação privilegiada.

1ª fase da Operação Disclosure

Em junho de 2024, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Disclosure, quando cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra ex-integrantes da diretoria das Americanas.

Na ocasião, o ex-presidente-executivo da companhia, Miguel Gutierrez, foi preso em Madri, na Espanha, após ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ele estava morando no país desde a descoberta do escândalo. Gutierrez, porém, não é alvo da operação realizada nesta quinta-feira.

Em agosto de 2024, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região revogou a prisão preventiva do ex-executivo, entendendo que não havia elementos que indicassem tentativa de fuga da Justiça brasileira.

Em março deste ano, as Americanas informaram que solicitaram à Justiça o encerramento do processo de recuperação judicial. Segundo a companhia, o pedido ocorreu após o cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores.

O que dizem os envolvidos

Em nota enviada à imprensa, “os acionistas de referência foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Companhia.

Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis.

Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar.”

Já a Americanas informou que “não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”.

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