O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preste depoimento à Polícia Federal (PF) no prazo de até dez dias no inquérito que investiga um suposto crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou necessário ouvir o parlamentar durante o andamento das investigações.
O caso teve início após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, antigo Twitter, em 3 de janeiro deste ano. Na postagem, o senador atribuiu ao presidente crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras e fraude eleitoral.

Além das acusações, Flávio compartilhou uma montagem com imagens de Lula e do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhada da afirmação de que o chefe do Executivo brasileiro “será delatado”.
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, dizia a publicação do parlamentar.
Em abril deste ano, Alexandre de Moraes autorizou a abertura do inquérito após solicitação da Polícia Federal, com parecer favorável da PGR, para apurar se a publicação configura crime.
Ao concluir a fase inicial das investigações, a Polícia Federal encaminhou um relatório ao STF afirmando que o senador fez uma falsa imputação de crimes ao presidente da República. O documento foi enviado à Procuradoria-Geral da República, que defendeu a realização do depoimento de Flávio Bolsonaro antes da continuidade da apuração.
Segundo a PF, a associação entre Lula e Nicolás Maduro reforça a interpretação de que o senador insinuou que o presidente brasileiro seria delatado pelo líder venezuelano pelos crimes listados na publicação, entre eles tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a grupos terroristas e ditaduras, além de supostas fraudes em eleições.