Mesmo com chuva e frio, trabalhadores voltaram a enfrentar uma longa fila em frente ao Sindicato dos Empregados no Comércio Atacadista e Varejista de Gêneros Alimentícios (SECGAL), no bairro Mutondo, em São Gonçalo, desde as primeiras horas desta terça-feira (14).
Segundo um morador que vive em frente à sede do sindicato, a primeira pessoa da fila chegou ao local ainda na noite de segunda-feira (13), por volta das 23h.
“A primeira pessoa chegou por volta das 23h. Eu saí para o trabalho [pela manhã] e o atendimento ainda não tinha começado”, relatou.
Além da longa espera, os trabalhadores enfrentaram chuva e baixas temperaturas. De acordo com as denúncias, a grande procura ocorre por causa do protocolo da carta de oposição à contribuição assistencial, documento utilizado pelos empregados que não desejam autorizar o desconto mensal previsto para a categoria.
Ainda de acordo com as denúncias, a demora no atendimento tem agravado a situação de pessoas em condições mais vulneráveis.
“Tem gente com criança no colo, pessoas que passaram por cirurgia e estão na fila preferencial. Mesmo assim, a fila não anda. O atendimento está sendo feito de uma em uma pessoa e demora muito. Isso é desumano.”, relatou uma trabalhadora.
Os trabalhadores afirmam que o prazo para protocolar a carta termina na próxima sexta-feira (18). Eles temem não conseguir concluir o procedimento dentro do período estabelecido, principalmente porque, segundo relatos, o sindicato costuma encerrar o expediente mais cedo às sextas-feiras.
“Nas sextas-feiras eles fecham mais cedo. Isso é um desrespeito com os trabalhadores”, afirmou uma funcionária.
Para formalizar a oposição, é necessário apresentar uma carta escrita de próprio punho, além da Carteira de Trabalho atualizada.
Filas se repetem
As reclamações já haviam sido registradas na segunda-feira (13). Segundo os trabalhadores, centenas de pessoas chegaram ao sindicato nas primeiras horas da manhã e, até o período da tarde, o atendimento seguia lento.
“Tem cerca de 800 pessoas na fila. O sindicato abriu às 9h e, até agora, não atendeu nem 150 pessoas. As senhas foram distribuídas, mas o atendimento está a passos de tartaruga”, relatou uma trabalhadora, que pediu para não ser identificada.
Outra funcionária também criticou a demora e as condições enfrentadas por quem aguardava atendimento.
“Tem várias pessoas em uma fila que não anda. Estamos no vento, no frio. É uma humilhação. Tudo isso para conseguirmos nos desvincular do sindicato e evitar o desconto”, desabafou.
Segundo os empregados, a grande concentração de pessoas não é um problema isolado. Eles afirmam que filas semelhantes também foram registradas na última sexta-feira (10), quando centenas de trabalhadores aguardaram por horas para serem atendidos.
O que diz o sindicato?
Procurado novamente pela reportagem do ENFOCO nesta terça-feira (14), o SECGAL reiterou o posicinamento anterior ao informar que atende 100% das pessoas que comparecem dentro do horário de funcionamento, das 9h às 16h. Mas que não há um limite pré-definido de senhas: ‘são distribuídas tantas quantas forem necessárias para atender todos os trabalhadores que chegarem até as 16h. Embora a distribuição de senhas seja encerrada nesse horário, o atendimento continua até que a última pessoa que recebeu senha seja atendida, independentemente do tempo necessário’.
A entidade não informou, no entanto, quantas senhas foram distribuídas nesta terça e quantas pessoas foram atendidas.
O sindicato também atribuiu a demora ao grande volume de pessoas e ao número reduzido de funcionários.
‘Infelizmente, não é possível evitar a formação de filas. Além disso, o atendimento exige a conferência minuciosa de toda a documentação apresentada, justamente para evitar erros no registro das cartas’, afirmou.
Por fim, o SECGAL destacou que a conferência dos documentos é necessária para garantir que os dados dos trabalhadores estejam corretos e que a carta de oposição seja registrada de forma adequada, evitando problemas futuros, como a manutenção indevida do desconto em razão de inconsistências na documentação.