Desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (13) funcionários de supermercados de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, enfrentam longas filas para atendimento no Sindicato dos Empregados no Comércio Atacadista e Varejista de Gêneros Alimentícios (SECGAL), no bairro Mutondo. Segundo denúncias, trabalhadores estão em busca do protocolo da carta de oposição à contribuição assistencial, procedimento utilizado para quem não deseja autorizar o desconto mensal previsto para a categoria.
De acordo com a denúncia, trabalhadores chegaram por volta das 7h30, mas, até as 15h o atendimento ainda seguia muito lento.
“Tem cerca de 800 pessoas na fila. O sindicato abriu às 9h e, até agora, não atendeu nem 150 pessoas. As senhas foram distribuídas, mas o atendimento está a passos de tartaruga”, relatou a sindicalizada, que preferiu ter a identidade preservada.
Outra funcionária também criticou a demora e as condições enfrentadas pelos trabalhadores.
“Tem várias pessoas em uma fila que não anda. Estamos no vento, no frio. É uma humilhação. Tudo isso para conseguirmos nos desvincular do sindicato e evitar o desconto”, desabafou.
Últimos dias
Outros trabalhadores afirmam que o prazo para protocolar a carta de oposição termina na próxima sexta-feira (18). Eles demonstram preocupação com a possibilidade de não conseguirem concluir o procedimento dentro do período estabelecido, principalmente porque, segundo relatos, o sindicato costuma encerrar o expediente mais cedo às sextas-feiras.
“Nas sextas-feiras eles fecham mais cedo. Isso é um desrespeito com os trabalhadores”, afirmou outra funcionária.
Para registrar a oposição, é necessário apresentar um documento escrito de próprio punho, além da Carteira de Trabalho atualizada.
Os empregados também disseram que a grande concentração de pessoas não é um problema isolado. Segundo eles, filas semelhantes já haviam sido registradas na última sexta-feira (10), quando centenas de trabalhadores enfrentaram horas de espera para conseguir atendimento.
O que diz o sindicato?
Procurada, o SECGAL esclareceu que nesta segunda-feira foram distribuídas 1.345 senhas, sendo 1.076 para atendimento normal e 269 senhas prioritárias, entre 9h e 16h.
O sindicato informou que a carta de oposição se encerra no dia 17 e que 1.691 cartas de oposição já foram registradas.
A entidade justifica que atende 100% das pessoas que comparecem dentro do horário de funcionamento, das 9h às 16h. Mas que não há um limite pré-definido de senhas: ‘são distribuídas tantas quantas forem necessárias para atender todos os trabalhadores que chegarem até as 16h. Embora a distribuição de senhas seja encerrada nesse horário, o atendimento continua até que a última pessoa que recebeu senha seja atendida, independentemente do tempo necessário’.
Ainda de acordo com o sindicato, a demora também é atribuída em razão do elevado fluxo de pessoas e do fato de a entidade contar com uma equipe de apenas 12 funcionários, ‘infelizmente não é possível evitar a formação de filas. Além disso, o atendimento exige a conferência minuciosa de toda a documentação apresentada, justamente para evitar erros no registro das cartas’.
Por fim o SECGAL esclareceu que a verificação é fundamental para garantir que os dados do trabalhador estejam corretos e que a oposição seja registrada adequadamente, evitando problemas futuros, como a manutenção indevida do desconto em razão de inconsistências na documentação.