O senado dos Estados Unidos se preparou, nesta semana, para ouvir o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, acusado de mentir durante a pandemia de Covid-19. Afastado do governo desde 2022, Anthony Fauci foi o principal conselheiro de saúde dos governos Trump e Biden, e teria dado declarações falsas em público sobre a origem do vírus.
A denúncia partiu do senador republicano Rand Paul, que teve nas mãos acesso ao diário do ex-diretor na época do combate à Covid-19. Os relatos chamaram atenção pois, segundo o parlamentar, Fauci contradizia Trump em público por estratégia política, desmentindo o presidente sobre o vírus ter se originado de um possível vazamento em um laboratório em Wuhan, na China.
A acusação grave se baseia nas declarações dadas durante a pandemia, onde Fauci colocava a suposta origem como ‘teoria da conspiração’, enquanto, nos bastidores, ele acreditava que o vírus realmente tinha vazado, por acidente ou não, de um instituito chinês. De acordo com as anotações do diário, ele teria, inclusive, marcado reuniões com infectologistas para discutir a hipótese.
Chamado para depor no senado, Fauci adotou uma postura aconselhada pelos advogados, utilizando a 5ª emenda norte-americana mais de 100 vezes para permanecer em silêncio durante as perguntas do congresso. Na constituição estadunidense, a emenda garante direito de silêncio em casos onde o acusado possa testemunhar contra ele mesmo.
Em defesa, o ex-diretor afirmou que as declarações foram coincidentes com a postura internacional de infectologistas adotada durante a pandemia, e que não houve contradição pela falta de informação sobre o vírus que se tinha na época.
Via BBC