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Esportes

Tifanny chama nova regra da CBV de ‘retrocesso’ e diz que vai lutar para jogar

Redação | Publicado em:

Tifanny critica nova regra da CBV: “Enorme retrocesso”
Primeira mulher trans da Superliga diz que medida afeta atletas, clubes e torcedores - Foto: Divulgação / Osasco / Carol Fotografia

A jogadora Tifanny, do Osasco São Cristóvão Saúde, criticou a nova regra da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que restringe a participação de atletas trans nas competições femininas. Aos 41 anos, a oposta classificou a mudança como um “enorme retrocesso” e afirmou que pretende buscar alternativas para continuar atuando no esporte.

Primeira mulher trans a jogar na Superliga Feminina, Tifanny disse que a decisão não atinge apenas sua carreira. Segundo ela, clubes, torcedores, patrocinadores e outras pessoas trans também são afetados pela nova política.

A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans”, afirmou a atleta, em declaração divulgada pela assessoria do Osasco.

Tifanny também declarou que não pretende ficar em silêncio diante da mudança. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, disse.

A manifestação ocorreu depois da estreia do Osasco no Campeonato Paulista, no sábado (15). A equipe recebeu o Pinheiros no Ginásio José Liberatti e perdeu por 3 sets a 2. Tifanny marcou 19 pontos e foi bastante apoiada pelos torcedores.

As parciais foram de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, em uma partida que durou pouco mais de duas horas.

Nova regra da CBV

A participação de Tifanny no Estadual aconteceu mesmo após o anúncio da nova política da CBV. A Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o campeonato seguirá o regulamento adotado no começo da competição. A entidade afirmou ainda que eventuais mudanças para os próximos torneios serão avaliadas pelas áreas jurídica e de saúde.

A CBV anunciou a nova regra na sexta-feira (14). A entidade informou que pretende adequar seus critérios às normas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

Entre as novas exigências está a apresentação de resultado negativo para o gene SRY. O critério substitui a regra anterior, que permitia a participação de mulheres trans desde que os níveis de testosterona no sangue estivessem dentro do limite estabelecido.

A mudança já vale para as edições deste ano da Superliga, nas duas principais divisões, e da Supercopa. A política também será aplicada à Copa Brasil e ao Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027.

Tifanny atua no vôlei feminino desde 2017. Em 2025, entrou para a história ao conquistar a Superliga pelo Osasco e se tornar a primeira mulher trans campeã do principal torneio nacional da modalidade.

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