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Segurança Pública

Três PMs são condenados por ligação com novo ‘Escritório do Crime’ no Rio

Redação | Publicado em: - Atualizado 1 hora atrás

Três PMs são condenados por ligação com novo 'Escritório do Crime' no Rio
O 2º sargento Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo” o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, chamado de “Tenente Alessander”, e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, o “Briggs” - Foto: Reprodução

Três policiais militares foram condenados por envolvimento com o chamado novo “Escritório do Crime”, organização criminosa investigada por encomendar assassinatos, realizar sequestros e comercializar ilegalmente armas e munições no Rio. As penas chegam a 63 anos de prisão. A decisão foi obtida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), nesta quarta-feira (21).

O 2º sargento Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, recebeu a maior pena: 63 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de 168 dias-multa, por integrar a organização criminosa. Já o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, chamado de “Tenente Alessander”, e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, o “Briggs”, foram condenados a 27 anos de prisão cada um, também em regime fechado, além de 44 dias-multa, por crimes relacionados ao comércio ilegal de armamentos.

A sentença manteve a prisão preventiva de Bruno e Alessander. Também determinou que Bruno e Diogo sejam excluídos dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso. No caso do capitão Alessander, o processo deverá ser encaminhado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), depois dessa etapa, para análise de eventual perda do posto e da patente.

Grupo é acusado de encomendar assassinatos

Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização atuava sob ordens de lideranças ligadas à contravenção penal e mantinha uma estrutura organizada para planejar e executar crimes violentos. As investigações apontaram divisão de tarefas entre os integrantes, com responsáveis por encomendar mortes, vigiar vítimas, preparar emboscadas e executar os ataques.

A apuração foi baseada na análise de mensagens, áudios, imagens e outros registros digitais encontrados em contas vinculadas aos investigados. O material revelou conversas sobre negociações de armas de fogo de grosso calibre, carregadores e munições, além de indícios de vínculos entre os envolvidos e integrantes ligados à milícia.

A denúncia aponta Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como “Ganso”, “Batata” ou “Soares”, como responsável por encomendar homicídios. Entre os assassinatos atribuídos ao grupo estão os de Fábio Romualdo Mendes, em Vargem Pequena, na Zona Oeste, e Neri Peres Júnior, em Realengo, também na Zona Oeste. Os dois foram mortos em setembro e outubro de 2021, respectivamente.

Vítima foi morta a tiros de fuzil e pistola

Neri Peres Júnior foi assassinado em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área movimentada de Realengo. De acordo com a denúncia, ele foi atingido por disparos de fuzil e pistola em plena luz do dia.

Os investigadores apontaram que os criminosos monitoraram a rotina da vítima e tentaram preparar o assassinato em pelo menos quatro ocasiões, mas os planos não foram concretizados por diferentes motivos. Bruno Estilo, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução.

Ainda segundo a acusação, André Costa Bastos, o “Boto”, teria ajudado os comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, ele supostamente continuava responsável por organizar o armazenamento e a disponibilização de armas e munições para o grupo.

Assassinato foi planejado por cerca de um mês

Outro homicídio atribuído à organização foi o de Fábio Romualdo Mendes, executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. Ele dirigia o próprio carro quando foi surpreendido pelos criminosos e atingido por diversos tiros, sem chance de defesa.

Conforme a denúncia, Thiago Soares Andrade Silva também teria encomendado esse assassinato. Bruno Estilo, Anderson Oliveira Reis Viana e Rodrigo Oliveira Andrade de Souza seriam responsáveis por planejar o ataque, acompanhar os passos da vítima e executar o crime.

O planejamento teria começado aproximadamente um mês antes da execução. Nesse período, o grupo teria tentado organizar diferentes emboscadas, inclusive em uma barbearia, mas a ação não ocorreu porque Fábio não compareceu ao estabelecimento.

PMs também são acusados de negociar armas ilegalmente

Além da participação atribuída a Bruno Estilo nos homicídios, a investigação apontou o envolvimento dos três policiais em negociações clandestinas de armas, carregadores e munições. Segundo o Ministério Público, Alessander e Diogo teriam fornecido material bélico à organização, incluindo armamentos que supostamente haviam sido apreendidos em operações da própria Polícia Militar.

No caso de Alessander, a acusação sustenta que a relação com o grupo era contínua, e não restrita a negociações isoladas. Ele teria fornecido armas e munições e recebido pagamentos periódicos de R$ 500.

As investigações também identificaram negociações atribuídas a Diogo em outubro e novembro de 2021. Mensagens e outros registros digitais foram reunidos pelo Ministério Público como elementos para demonstrar a articulação entre os policiais e os integrantes da organização criminosa.

A Polícia Militar (PM) foi procurada pela reportagem para comentar a condenação dos três policiais, esclarecer a situação funcional dos militares e informar quais medidas administrativas poderão ser adotadas, mas ainda não responderam.

O site não localizou a defesa dos condenados, o espaço segue aberto para manifestações.

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