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Família de Marielle Franco denuncia ataques racistas em grupo de WhatsApp da PUC-Rio

Redação | Publicado em: - Atualizado 23 minutos atrás

Família de Marielle Franco denuncia ataques racistas em grupo de WhatsApp da PUC-Rio
Filha da vereadora assassinada em 2018 cobra investigação após ofensas contra a mãe - Foto: WikiCommons

A memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, voltou a ser alvo de ataques racistas. Desta vez, as ofensas teriam sido publicadas em um grupo de WhatsApp com integrantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), instituição onde a parlamentar estudou sociologia. A denúncia foi feita por sua filha, Luyara Franco, que cobrou providências da universidade e a investigação dos responsáveis.

Segundo Luyara, uma pessoa utilizou o termo “macaca” para se referir à ex-vereadora e ainda questionou como ela teria conseguido pagar a própria faculdade. Em publicação nas redes sociais, compartilhada com o Instituto Marielle Franco, a filha classificou os comentários como manifestações de racismo e repudiou os ataques à memória da mãe.

“Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio”, escreveu.

Luyara também ressaltou a trajetória acadêmica e profissional de Marielle, destacando as dificuldades enfrentadas por uma mulher negra para ocupar espaços historicamente marcados pela desigualdade. Para ela, as ofensas não podem ser tratadas como brincadeira ou manifestações de opinião.

“A gente está falando de uma mulher negra, que ocupou a universidade, que construiu sua trajetória com muito trabalho, inteligência e compromisso com a transformação da sociedade. Uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência política e que mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo”, afirmou.

A filha da vereadora acrescentou que os ataques precisam ser apurados e responsabilizados. “Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime”, declarou.

Em nota, a PUC-Rio informou que recebeu denúncias por meio de sua Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias e instaurou uma investigação interna para esclarecer o episódio. A instituição afirmou que pretende adotar as medidas administrativas e legais cabíveis.

A universidade também declarou repudiar qualquer manifestação discriminatória, incluindo racismo e injúria racial. Segundo a instituição, uma nota de repúdio foi encaminhada à comunidade universitária para reafirmar o compromisso com a educação antirracista e a preservação da memória de Marielle Franco.

Leia a nota na íntegra

O racismo é considerado crime pela Constituição Federal e pela legislação brasileira. A prática é inafiançável e imprescritível, o que significa que não há prazo para que o Estado responsabilize criminalmente os envolvidos, observadas as regras legais aplicáveis.

Nova ofensa à memória de Marielle

O episódio ocorre poucas semanas depois de outra manifestação ofensiva contra a vereadora. No dia 13, durante um ato realizado nas proximidades da PUC-Rio, apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ironizaram o assassinato de Marielle.

Imagens que circularam nas redes sociais mostram um manifestante utilizando um carro de som para fazer referência à morte da parlamentar. “Marielle está com papai do céu”, disse, antes de acrescentar: “ou no colo do capeta”.

Na ocasião, a repercussão levou Luyara e a irmã da vereadora, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), a publicarem vídeos nas redes sociais em defesa da memória da parlamentar.

Assassinato de Marielle Franco

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, quando o veículo em que estavam foi atingido por disparos após a vereadora deixar um compromisso no Centro do Rio de Janeiro.

Os executores confessos do crime, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram condenados em 2024. Também receberam condenações pelo envolvimento no assassinato Domingos Brazão, então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil fluminense; Ronald de Paula, major da Polícia Militar; e Robson Calixto, ex-policial militar.

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