Skip to content

Política

STF proíbe operações policiais em comunidades do Rio durante pandemia

Redação | Publicado em:

Imagem não disponível


bope operacao viradouro alex oliveira capa 1
O ministro Edson Fachin ressalvou a possibilidade de operações em casos “absolutamente excepcionais”, que devem ser justificados e acompanhados pelo Ministério Público estadual. Foto: Alex Oliveira – Arquivo



O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia do novo coronavírus, salvo em casos absolutamente excepcionais, que devem ser devidamente justificadas por escrito pela autoridade competente e comunicadas ao Ministério Público estadual, órgão responsável pelo controle externo da atividade policial.



De acordo com o ministro, nesses casos, deverão ser adotados cuidados para não colocar em risco ainda maior a população, a prestação de serviços públicos sanitários e o desempenho de atividades de ajuda humanitária.



A decisão foi tomada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, em que o Partido Socialista Brasileiro (PSB) questiona a política de segurança pública do governador Wilson Witzel, que, segundo a legenda, estimula o conflito armado e “expõe os moradores de áreas conflagradas a profundas violações de seus direitos fundamentais”.



A ADPF foi submetida ao Plenário Virtual do STF, mas o julgamento está suspenso por pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Por isso, o ministro Fachin restringiu sua decisão à determinação de paralisação das operações policiais. “O pedido de medida cautelar, tal como formulado na inicial, será, a tempo e modo, apreciado pelo colegiado”, afirmou o relator.



Menino João Pedro



Em sua decisão, o ministro Fachin afirma que o uso da força só é legítimo se for comprovadamente necessário para a proteção de um bem relevante, como a vida e o patrimônio de outras pessoas. Segundo ele, se os protocolos de emprego da força já eram precários, em uma situação de pandemia, com as pessoas passando a maior parte do tempo em suas casas, eles se tornam de utilidade questionável e de grande risco.



Para o ministro, os fatos recentes tornam ainda mais preocupantes as notícias sobre a atuação armada do Estado nas comunidades do Rio de Janeiro. Ele se referiu ao caso do menino João Pedro, morto a tiros dentro de casa em operação conjunta das Polícias Federal e Civil no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.



“Muito embora os atos narrados devam ser investigados cabalmente, nada justifica que uma criança de 14 anos de idade seja alvejada mais de 70 vezes. O fato é indicativo, por si só, de que, mantido o atual quadro normativo, nada será feito para diminuir a letalidade policial, um estado de coisas que em nada respeita a Constituição”, concluiu.



Publicada às 21h27


Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Mega-Sena não tem ganhador e acumula prêmio de R$ 102 milhões
Brasil & Mundo

Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 46 milhões nesta quarta-feira

Segurança Pública

Polícia investiga esquema de furto de cabos que envolve 25 funcionários de concessionária no Rio

Ação da Polícia Civil relacionada à recaptura de foragido do sistema prisional em São Gonçalo.
Segurança Pública

Polícia recaptura homem que não voltou de saidinha em São Gonçalo

Polícia fecha 'casa-bomba' e prende três mulheres por tráfico no litoral de São Paulo
Brasil & Mundo

Polícia fecha ‘casa-bomba’ e prende três mulheres por tráfico no litoral de São Paulo