Erika Figueiredo - Direito e Muito Mais

Sem inspiração

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Hoje eu assistia a um comentário do Alexandre Garcia, para emissoras de rádio do Brasil todo, enquanto pedalava na academia. Ele explicava a origem da palavre deslumbramento, pois usou esse termo para intitular um artigo de sua autoria. O jornalista dizia que deslumbrar-se é sair do escuro para a luz, fitar aquela luminosidade e chegar a quase ficar cego, por tanta claridade.

Pois bem. Estou sem inspiração. Não tenho tido motivos para deslumbrar-me com a realidade, a qual tenho observado com ceticismo, horror ou com um sentimento de deja vu, dependendo do contexto na qual esta se apresenta. Eu explico.

Ouvi, também na manhã de hoje, que há campos de confinamento, na Austrália. Que haverá lock down para pessoas não vacinadas, na Alemanha. Áustria idem. Que o mundo está pirando com base no pânico acerca de um vírus, cuja nova variante não tem sido letal, mas permite que avance-se sobre as liberdades das pessoas de modo absolutamente perigoso e inaceitável.

Não é possível que não se tenha aprendido nada, com a História recente da Europa, com a segregação dos judeus, antes e durante a segunda guerra mundial, com base em um critério “científico” defendido por Hitler e seus seguidores, que assassinou mais de seis milhões de pessoas.

A Europa vai fechando suas portas, endurecendo barreiras em suas fronteiras, e nós seguimos assistindo, daqui. Eu já disse em outros artigos e vou repetir: o mundo jamais comportou-se desse modo, diante de guerras e epidemias. A modernidade trouxe em seu bojo a covardia e a histeria dos povos.

Se deslumbrar-se é ver a luz, o que seria desistir da luz, trancar-se, desistir de acreditar? Não tenho resposta para essas perguntas. Não sei no que o mundo irá se transformar. Eric Voegelin dizia que, independentemente da loucura do mundo, temos a obrigação de mantermo-nos ordenados por dentro. Tenho me esforçado para isso. Mas confesso que não sinto muita vontade de sair de casa... lá fora, as narrativas que dominam a cena deixam-me sem inspiração, sem confiança no ser humano, sem fé na civilização.

Sei que a Humanidade passou por momentos muito agudos e provações dificílimas, tendo superado com altivez e coragem os desafios e obstáculos. Hoje, faltam a essa mesma Humanidade, a firmeza e a disposição que existiam, em gerações que nos precederam.

Falamos tanto em defesa de liberdades, mas estamos abrindo mão de tudo que conquistamos, deixando ao encargo do Estado decidir quem sai de casa, e por que. A nova letra do alfabeto grego que determina o que podemos fazer (ômicron) não pode ser mais forte do que os princípios, nos quais baseou-se a raça humana, desde sempre.

Por tudo isso, estou sem inspiração. O mundo ao redor não me traz, no momento, motivos para comemorar. Deixo aqui, juntamente com essas mal escritas linhas, a frase de Ronald Reagan, que disse em certa ocasião: a liberdade não é uma característica herdada e transmitida pela corrente sanguínea. É preciso lutar todos os dias, a fim de assegurá-la, para que possa ser desfrutada pelas próximas gerações.

Erika Figueiredo - Direito e Muito Mais

Erika Figueiredo - Direito e Muito Mais

A niteroiense Erika da Rocha Figueiredo é escritora, promotora de justiça criminal, mestre em ciências penais e criminologia e membro da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do MP Pro Sociedade.

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