Livro

Submissão: uma reflexão sobre política e guerra

A obra distópica de Michel Houellebecq e a realidade

Para onde quer que se olhe, poderá ser visto um cenário preocupante, a possibilidade de acontecimentos trágicos.
Para onde quer que se olhe, poderá ser visto um cenário preocupante, a possibilidade de acontecimentos trágicos. |  Foto: Divulgação / Pexels

Submissão é o título em português, de um livro que está dando o que falar. Trata-se de uma distopia, criada por Michel Houellebecq - escritor e poeta francês dos mais importantes de sua geração – que descreve uma França agora dominada por árabes, cujo presidente é islâmico e começa a adotar medidas drásticas, como transformar todas as instituições acadêmicas do país em escolas e universidades de ensino muçulmano obrigatório.

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Tudo começa quando Ben Abbes, um candidato a Presidente da República, aparentemente inexpressivo e inofensivo, integrante da Fraternidade Muçulmana, torna-se o favorito nas eleições, indo para o segundo turno, com promessas de um governo moderado e uma igualdade maior entre os moradores da França.

Inicia-se, a partir deste momento, uma verdadeira revolução no país, com uma onda de violência desmedida, incêndios a ônibus e locais públicos, estabelecimentos fechados, caos urbano e criminalidade acentuados. Islâmicos insatisfeitos resolvem reivindicar seus direitos, acuando e ameaçando a população.

E o pior acontece. E o horror se instala. E professores universitários são demitidos, funcionários públicos exonerados, cidadãos perseguidos... do dia para a noite, as regras do jogo mudam, com mudanças drásticas e em ritmo alucinado, pipocando aqui e ali.

François, o protagonista do livro, um professor de filosofia entediado e um tanto quanto perdido, refugia-se um uma cidadezinha do interior, de onde assiste, perplexo, ao que está acontecendo ao seu redor.

A narrativa do livro – cujo título remete à submissão do povo francês ao novo regime – nos remete a outras distopias, como 1984 e Admirável mundo Novo, nas quais o regime de governo muda, alterando de forma avassaladora as vidas das pessoas.

Temos visto isso tudo acontecer no mundo, muitas vezes debaixo de nossos olhos e até sem nos darmos conta. As regras do jogo da política mudam o tempo todo e com a globalização, tudo tornou-se possível.

A Venezuela e a Argentina, de países prósperos e modelos de administração na América Latina, face às recentes gestões políticas que tiveram e ao golpe político sofrido pela primeira, mergulharam em um poço sem fundo, com sua população empobrecida, buscando comida no lixo e comendo até cachorros, para sobreviver, implorando por refúgio nos países vizinhos, na falta de outras alternativas.

O Irã, até 1979 uma ilha de prosperidade, face ao petróleo e outros recursos naturais, foi arremessado para o terror dos extremistas islâmicos – os aiatolás – tornando-se uma ditadura sanguinária e um país completamente fechado ao Ocidente. O presidente deposto, para não ser assassinado, precisou fugir.

A Rússia invadiu a Ucrânia, reivindicando para si o país, gerando morte e destruição em larga escala, fuga de sua população e a discussão, na OTAN e na ONU, sobre o que deve ser feito, para que Vladimir Putin seja contido e não avance sobre o Ocidente.

Coréia do Norte e China estão aliadas, querendo impedir a autonomia da Coréia do Sul, que passou por eleições recentemente, elegendo um democrata.

O Hamas cometeu um ataque surpresa a Israel, em outubro, assassinando mais de mil e quatrocentos israelitas e sequestrando 240, dos quais quase cento e quarenta ainda se encontram em seu poder. São os extremistas islâmicos, como EI Hamas, Hezbollah e outros, que pretendem dominar e subjugar o mundo Ocidental.

Pobre Brasil

Praticamente todos os regimes dos países acima citados, a fim de manterem-se no poder, roubam, matam, corrompem, assassinam reputações, prendem, perseguem, expulsam de seu território, aqueles que não concordam com as suas regras do jogo.

O Brasil, pobre Brasil, também passa por uma crise sem precedentes em sua democracia, a qual vem sendo atacada e vilipendiada diariamente, pelos três Poderes.

Para onde quer que se olhe, poderá ser visto um cenário preocupante, a possibilidade de acontecimentos trágicos, com impactos em toda a população e um risco real de utilização de armas químicas, face às guerras já deflagradas.

A SUBMISSÃO de que trata o livro, nunca esteve tão próxima de todos nós. Distopia ou realidade? Não sei. O desenrolar dos acontecimentos dirá. Só espero que o mundo encontre o seu trilho outra vez, a fim de que não tenhamos uma Terceira Guerra Mundial a caminho.

Erika Figueiredo - Direito e Muito Mais

Erika Figueiredo - Direito e Muito Mais

A niteroiense Erika da Rocha Figueiredo é escritora, promotora de justiça criminal, mestre em ciências penais e criminologia e membro da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do MP Pro Sociedade.

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