Muito além da rotina de operações e patrulhamentos, os batalhões da Polícia Militar também guardam histórias de carinho e companheirismo. Em Niterói e São Gonçalo, cães abandonados se tornaram mascotes e acabaram conquistando espaço entre os policiais, integrando a rotina das unidades.
No 12º BPM (Niterói), o reforço fica por conta de Estopa, ou ‘Estopinha’ como é conhecido, e Choquito, a dupla chegou ao batalhão há cerca de um ano e mudou o dia a dia dos militares.
“Eles chegaram aqui bem debilitados, precisando de tratamento, cuidados e vacinas. O Estopa foi o primeiro a aparecer no batalhão. Os policiais perceberam a presença dele e começaram a cuidar do animal. Com o tempo, ele acabou virando o mascote da unidade”, contou a sargento Cássia, responsável pelos cuidados dos pets.
Segundo a policial, a relação entre os mascotes e os agentes é muito próxima. Estopinha, inclusive, costuma recepcionar os policiais diariamente.
“Sempre que os policiais chegam à unidade, o Estopa vai até as viaturas para recebê-los. Então resolvemos fazer uma fardinha para ele, para mostrar que também faz parte do batalhão”, explicou.

Pouco tempo depois, Choquito apareceu no batalhão. No início, Estopa demonstrou um pouco de ciúmes, mas logo aceitou o novo companheiro.
“Todo policial precisa de um parceiro, e o Estopa acabou aderindo ao Choquito. Hoje eles fazem a dupla aqui do 12º Batalhão de Niterói”, disse a sargento.
Os policiais afirmam ainda que os cães são bastante atentos à movimentação da unidade. Segundo a sargento Cássia, os mascotes conseguem identificar quando um policial chega fardado ou à paisana.
“Se o policial chega fardado, eles recebem muito bem. Agora, se chega de roupa comum, eles ficam desconfiados até reconhecerem o cheiro. É como se estivessem protegendo o batalhão”, relatou.
Guardições do 12º Batalhão de Niterói
Além dos agentes, os visitantes também passam pela observação da dupla. Os cães acompanham a movimentação na entrada do batalhão e se tranquilizam quando percebem que a pessoa foi autorizada pelos policiais.
Como acontece entre as pessoas, a dupla do batalhão também possui personalidades diferentes. Enquanto Choquito é mais tranquilo e reservado, Estopinha se mostra mais atento e desconfiado. Apesar das diferenças, os dois demonstram o instinto protetor que conquistou os policiais da unidade.

Os nomes dos mascotes também têm significados especiais. Segundo a sargento, Estopa recebeu esse nome por conta da aparência quando chegou ao batalhão.
“Ele apareceu aqui com os pelos muito grandes e embolados, parecendo uma estopa velha. Aí o nome acabou ficando”, contou. Já Choquito ganhou o apelido por causa da coloração da pelagem.
Segundo os policiais da unidade, Estopinha também faz “plantão” no batalhão. Durante a manhã, costuma dormir, mas à noite acompanha os agentes que estão de serviço, permanecendo na guarita e ajudando na vigilância da unidade.
Rajada, a fiscal do Batalhão de São Gonçalo
O 7º BPM (São Gonçalo), também tem um mascote para chamar de seu que ganhou espaço entre os militares: é a cadela Rajada, conhecida pelos policiais como cabo Rajada. Ela está na unidade desde 2023.
A história dela começou durante uma operação no bairro de Jardim Catarina, em São Gonçalo. Em meio ao intenso tiroteio na comunidade, a cadela apareceu procurando abrigo e acabou acompanhando os policiais de volta ao batalhão dentro do veículo blindado, o ‘Caveirão’.

“Ela estava no meio do tiroteio. Quando os policiais terminaram a operação e estavam indo embora, ela entrou no blindado e veio junto com a equipe. Desde então, nunca mais saiu do batalhão”, contou a soldado Fernanda.
Carinhosamente chamada de Clô pelos mais próximos, Rajada passa os dias circulando por diferentes setores da unidade.
“Ela é bem preguiçosinha, gosta de dormir. Quando chegamos, ela bate na porta para entrar, deita no sofá dela e, quando quer sair, avisa também. No horário do almoço, vai para o rancho e também passa pela secretaria e pela guarda. Mas sempre fica em lugares mais fresquinhos”, explicou a policial.
Além de gostar de dormir, Rajada é bastante atenta e esperta. Quando quer fazer alguma coisa, mostra toda a agilidade que faz jus ao nome que recebeu.
A relação entre Rajada e os agentes é marcada por carinho e cuidado. “Por onde passa, ela ganha carinho e biscoito. Ela tem a coleira dela, é patenteada como cabo Rajada e já faz parte da história do batalhão”, brincou a soldado.
Amor de quatro de patas


Para os policiais, os mascotes representam acolhimento em meio à rotina intensa da profissão.
“O trabalho policial é muito árduo. Então, quando chegamos ao batalhão e recebemos o carinho desses animais, isso traz conforto. Eles representam amor verdadeiro e fazem a unidade lembrar um pouco o nosso lar”, afirmou a sargento Cássia.
A soldado Fernanda também destacou a importância da presença da cabo Rajada no dia a dia da tropa.
“Às vezes o policial chega cansado e ela vem abanando o rabo, pedindo carinho. Você acaba esquecendo um pouco dos problemas, dá risada, brinca e se distrai. Isso ajuda muito a quebrar a rotina pesada que o policial enfrenta”, finalizou.