
Colecionar o álbum da Copa sempre foi sinônimo de diversão, mas, em 2026, o preço elevado do álbum e das figurinhas está fazendo muita gente repensar a tradição, especialmente na Região Metropolitana do Rio.
“Eu sempre colecionei, mas agora o preço deu uma inflada gigante. Ficou fora do orçamento”, conta o estudante Isaque Teixeira, de 22 anos, morador do bairro Santa Catarina, em São Gonçalo. Como ele, outros fãs já começam a desistir antes mesmo de iniciar a coleção, conforme relatos publicados nas redes sociais.
Apesar da alta, ainda há quem não abra mão da tradição. Para muitas famílias, o álbum da Copa do Mundo FIFA 2026 continua sendo um ritual quase obrigatório. É o caso do engenheiro José Ribeiro, de 56 anos, morador do bairro Icaraí, em Niterói.
“Meus filhos acordaram e, antes do ‘bom dia’, já falaram: ‘É hoje que lança o álbum da Copa, papai!’. É uma tradição aqui em casa. A caminho da escola, paramos na banca da Avenida Sete de Setembro e compramos 30 pacotinhos. Está um pouco salgado o preço, mas não tenho como deixar de proporcionar esse lazer às crianças. Enquanto eu puder, eles não ficarão de fora do troca-troca de figurinhas. É uma festa pré-Copa”, conta empolgado.
Álbum oficial

O álbum oficial, lançado pela Panini, começou a chegar às bancas do país nesta quinta-feira (30), ainda de forma gradual. Ao ENFOCO, a Associação dos Proprietários de Bancas de Jornal e Revistas de Niterói e São Gonçalo (Aproban) afirmou que as figurinhas já começaram a ser distribuídas, enquanto os álbuns seguem em fase de entrega.
“A expectativa é de normalização do abastecimento nos próximos dias. Até o momento, não há registro formal consolidado de falta de produtos na região. O abastecimento ocorre de forma gradual, conforme a logística da distribuidora”, informou o diretor da entidade, Renato Azeredo.
Figurinhas a custo de ouro
Os valores chamam a atenção: o álbum custa entre R$ 24,90 e R$ 79,90, enquanto cada pacote com sete figurinhas sai por R$ 7,00 ou seja R$ 1,00 por figurinha, e ainda com chances de conter repetidas.
Esta é a maior edição da história, com 980 cromos, 310 a mais que na última Copa, o que aumenta o custo final da coleção.
O influenciador digital Jose Passini, de 26 anos, morador do Rio, coleciona desde 2006 e aguarda ansioso pela versão de luxo. “Estou só esperando chegar meu álbum, porque compro sempre o de capa dura. Considerei caro em relação aos últimos, mas pelo menos aumentaram o número de figurinhas por envelope”, revela.
Por que ficou mais caro?
Segundo a Aproban, o reajuste reflete fatores inflacionários e mudanças no produto. “Observa-se uma atualização considerando o intervalo entre as Copas e a quantidade de cromos por envelope. Ainda assim, o mercado tem demonstrado boa aceitação”, destacou Azeredo.
Mesmo com o impacto financeiro, o álbum segue como peça-chave para o comércio local, movimentando o fluxo nas bancas de jornal da região.