O Vasco ganhou um novo capítulo na disputa pelo Maracanã para a semifinal da Copa Sul-Americana. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) recomendou à concessionária Fla-Flu Serviços S.A. que disponibilize o estádio para o duelo contra o Boca Juniors, marcado para 20 de outubro, às 21h30. O órgão também apontou possível descumprimento do contrato de concessão diante das negativas anteriores ao clube.
A recomendação foi expedida nesta segunda-feira (5) pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ). A concessionária terá 48 horas, a partir do recebimento do documento, para apresentar uma resposta fundamentada. Caso a orientação não seja atendida, o MP poderá adotar medidas extrajudiciais e judiciais, incluindo uma ação civil pública.
O posicionamento do Ministério Público leva em consideração uma avaliação da Polícia Militar (PM), que se manifestou contra a realização da partida em São Januário e indicou o Maracanã como a alternativa mais adequada. Segundo a análise da PM, o confronto exige uma operação de alta complexidade por ser eliminatório, envolver torcedores brasileiros e argentinos e ter previsão de chegada de dezenas de ônibus com a torcida visitante.
A avaliação policial também considera que o Maracanã oferece melhores condições de segurança, capacidade e mobilidade urbana, além de facilitar a organização dos fluxos de entrada e saída dos torcedores.
A concessionária havia recusado o pedido do Vasco alegando a necessidade de preservar o gramado devido à proximidade com outras partidas. Para o GAEDEST, a preocupação com o campo é legítima, mas não deve se sobrepor à segurança dos torcedores, moradores da região e demais pessoas que circulam pelo entorno. O órgão também considera que eventuais danos ao gramado podem ser reparados e ressarcidos.
Outro ponto levantado pelo MPRJ envolve o histórico recente de utilização do estádio. O Maracanã recebeu partidas de Flamengo e Fluminense em dias consecutivos em maio deste ano, enquanto solicitações do Vasco para jogos contra outros adversários foram recusadas. Na avaliação do GAEDEST, a adoção de exigências diferentes entre os clubes pode representar tratamento discriminatório, o que seria incompatível com o contrato de concessão.
Além de pedir a abertura do Maracanã para Vasco x Boca Juniors, o órgão quer que a concessionária estabeleça regras claras para futuras solicitações. A recomendação determina a formalização e publicação, em até 30 dias, de critérios objetivos, transparentes e iguais para todos os clubes interessados em utilizar o estádio.
As regras deverão definir, entre outros pontos, o intervalo mínimo entre partidas, as situações que podem levar à recusa, a prioridade do calendário esportivo sobre eventos não esportivos e os documentos técnicos necessários para a análise. Segundo o Ministério Público, eventuais negativas também deverão ser justificadas individualmente e acompanhadas da documentação técnica utilizada para embasá-las.
O MP ainda comunicou o Governo do Estado sobre a recomendação e a possibilidade de descumprimento contratual. Caso a concessionária não aceite a orientação, o poder concedente poderá ser acionado para avaliar as medidas cabíveis.