O consumo frequente de doces e alimentos açucarados na infância pode trazer consequências que vão muito além das cáries: aumenta os riscos de sobrepeso e obesidade e pode favorecer problemas de saúde ao longo da vida. O alerta começa cedo: segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de dois anos não devem consumir açúcar, nem alimentos e preparações que contenham o ingrediente. Refrigerantes, achocolatados, biscoitos recheados e outras opções ultraprocessadas também exigem atenção, pois a exposição precoce ao sabor doce pode influenciar as preferências alimentares e dificultar a aceitação de alimentos mais variados.
Para a nutricionista Stephany Rangel, o objetivo não deve ser criar uma relação de medo ou culpa em torno dos doces, mas estabelecer limites e melhorar o ambiente alimentar da criança.
“Uma abordagem interessante é estabelecer limites claros sem criar uma relação de medo ou culpa com a comida. Também é importante evitar utilizar doces constantemente como prêmio por bom comportamento ou como moeda de troca”, orienta.
O ambiente alimentar também influencia
Mais do que simplesmente proibir determinado alimento, os hábitos da família e a disponibilidade de produtos açucarados em casa e na escola podem influenciar as escolhas da criança. Para Stephany, uma estratégia mais efetiva é reduzir a exposição ao sabor excessivamente doce e ampliar a variedade de alimentos oferecidos.
“É importante não tentar simplesmente tirar a vontade da criança de comer o doce, e sim reduzir a exposição excessiva ao sabor doce, ampliar a variedade alimentar e diminuir o acesso tanto em casa quanto na escola a esses alimentos.”
Entre os produtos que merecem atenção estão não apenas balas e chocolates, mas também alimentos que podem parecer opções cotidianas e que apresentam açúcar em sua composição.
Alguns dos produtos que podem contribuir para o excesso de açúcar na infância são:
- Refrigerantes, sucos e outras bebidas adoçadas;
- Achocolatados;
- Bebidas lácteas adoçadas;
- Biscoitos recheados;
- Chocolates e balas;
- Cereais matinais açucarados;
- Sobremesas industrializadas;
- Iogurtes adoçados.
O que oferecer no lugar dos doces?
A redução do açúcar não significa eliminar opções saborosas da alimentação infantil. Frutas, preparações caseiras e alimentos com menor quantidade de açúcar podem ocupar esse espaço e ajudar a ampliar o repertório alimentar da criança.
Entre as alternativas estão frutas, iogurte natural, receitas com aveia, pão e bolo caseiro, com pouco ou nenhum açúcar adicionado e vitaminas de frutas sem açúcar. A nutricionista destaca que a mudança deve envolver toda a família e não apenas a criança.
“O principal é não tentar apenas tirar o doce da criança, e sim mudar o ambiente alimentar da família. E não é necessário buscar uma alimentação perfeita: a criança pode comer um doce eventualmente e continuar tendo uma alimentação adequada. O objetivo é que o doce deixe de ocupar um espaço desproporcional na rotina.”
Cuidados importantes na rotina
Até os dois anos: evitar açúcar, mel, doces e preparações com açúcar, conforme orientação do Ministério da Saúde.
Menos frequência: reduzir o consumo habitual de doces e bebidas açucaradas.
Mais variedade: oferecer frutas, legumes, verduras e outros alimentos in natura ou minimamente processados.
Evitar recompensas: não transformar doces em prêmio por bom comportamento ou desempenho.
Atenção aos rótulos: observar a lista de ingredientes e a presença de açúcares adicionados.
Cuidar dos dentes: manter a higiene bucal desde o surgimento dos primeiros dentes.
Dar o exemplo: os hábitos alimentares dos adultos também influenciam as escolhas das crianças.
Equilíbrio: um doce ocasional não precisa ser tratado como proibido, desde que não ocupe espaço excessivo na alimentação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcares livres seja inferior a 10% da ingestão total de energia e aponta que uma redução para menos de 5% pode proporcionar benefícios adicionais à saúde.