O ano de 2025 ficou entre os três mais quentes já registrados no planeta, informou nesta quarta-feira (14) a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas para o clima, em análise de conjuntos de dados climáticos globais. A posição no ranking histórico foi confirmada por várias instituições científicas, incluindo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).
De acordo com a OMM, seis dos oito bancos de dados climáticos analisados classificaram 2025 como o terceiro ano mais quente desde o início das medições, enquanto os outros dois o colocaram como o segundo mais quente. Em todas as bases, os últimos três anos (2023, 2024 e 2025) figuram no topo absoluto da série histórica de temperaturas globais, que remonta a 1850.
Temperaturas acima dos limites pré-industriais
Os dados consolidados indicam que a temperatura média global em 2025 esteve substancialmente acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), ultrapassando largamente as metas estabelecidas no Acordo de Paris. A OMM e o ECMWF destacam que esse trio de anos quentes também marcou a primeira vez que um período de três anos consecutivos ficou acima de 1,5 °C do nível pré-industrial, um patamar considerado crítico pelos cientistas do clima.
A NOAA, por sua vez, relatou que o conteúdo de calor nos oceanos superiores atingiu níveis recordes em 2025, um indicativo de que os oceanos continuam acumulando a maior parte do calor extra gerado pelo aquecimento global, o que pode intensificar tempestades, aumentar a frequência de chuvas extremas e acelerar o aumento do nível do mar.
Impactos climáticos e extremos
Especialistas alertam que temperaturas excepcionais como as observadas em 2025 tendem a agravar eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas, incêndios florestais, inundações e ciclones intensos. Em 2025, diversas regiões registraram fenômenos extremos que pesquisadores associam ao aquecimento global em curso.
Segundo o relatório climático, apesar de fenômenos naturais como La Niña (que geralmente tem um efeito de resfriamento temporário) estarem presentes no início e no final de 2025, as temperaturas médias continuaram excepcionalmente altas, destacando a influência persistente dos gases de efeito estufa acumulados na atmosfera.
Desafios para 2026 e além
Autoridades climáticas projetam que 2026 também deverá figurar entre os anos mais quentes já registrados, refletindo a continuidade da tendência de aquecimento global em meio à insuficiência das reduções de emissões de carbono. Especialistas ressaltam que cada fração de grau adicional de aquecimento pode significar impactos crescentes em sistemas naturais e sociedades humanas.
A crescente sequência de anos quentes mantém em evidência o debate sobre as metas do Acordo de Paris, que busca limitar o aumento médio da temperatura global a bem abaixo de 2 °C, com esforços para não superar 1,5 °C. A constatação de um período prolongado acima desse limite reforça a urgência de ações globais mais ambiciosas de mitigação e adaptação climática.