A cooperativa de reciclagem mais antiga do país enfrenta risco de despejo na capital paulista após receber uma notificação para deixar o espaço que ocupa há 37 anos, na zona oeste da cidade. Instalada sob o Viaduto Paulo VI, em Pinheiros, a Coopamare tenta reverter a decisão enquanto mantém o funcionamento e mobiliza apoio.
O aviso foi emitido pela Prefeitura de São Paulo no fim de março, com base em um auto de fiscalização que aponta ocupação irregular da área pública. O documento dá prazo para defesa, já apresentada pela cooperativa no início de abril. Até o momento, não houve retorno oficial sobre o caso.
A autorização de uso do terreno havia sido cancelada em 2023. Na época, o município alegou necessidade de proteger o espaço público e risco de incêndio. Segundo a direção da cooperativa, houve abertura de diálogo e promessa de realocação, o que não se concretizou.
A presidente da Coopamare, Carla Moreira de Souza, afirma que o grupo não se opõe à mudança, desde que haja estrutura adequada para continuidade do trabalho. Segundo ela, a alternativa oferecida, outro espaço sob viaduto, não comporta equipamentos nem o volume de materiais processados.
A cooperativa reúne 24 trabalhadores fixos e cerca de 60 catadores autônomos. Juntos, eles recolhem aproximadamente 100 toneladas de recicláveis por mês, atuando na triagem e destinação de resíduos na região.
Diante da possibilidade de despejo, a entidade lançou um abaixo-assinado e divulgou um manifesto em defesa da permanência no local. No texto, destaca o papel social da iniciativa, que emprega pessoas em situação de vulnerabilidade e contribui para a redução de resíduos enviados a aterros.
A Coopamare também argumenta que a atividade gera economia para o poder público ao diminuir custos com coleta e tratamento de lixo, além de atuar na preservação ambiental.
Organizações ligadas à categoria manifestaram apoio. A Associação Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (Ancat) classificou a cooperativa como referência histórica do setor no país. Também aderiram à mobilização entidades como a Unicatadores e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.
Enquanto aguarda uma definição, a cooperativa segue funcionando e cobra uma solução que garanta condições de trabalho e continuidade das atividades.