A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para revogar a prisão preventiva do dono do antigo Banco Master. Vorcaro é investigado por suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias.
O ex-banqueiro está detido desde novembro do ano passado e atualmente cumpre prisão no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, em uma área destinada a presos especiais conhecida como Papudinha, próxima ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Paralisação de investigações e impasse na corte
No documento enviado ao STF, os advogados de Vorcaro sustentam que o cliente não pode permanecer preso indefinidamente enquanto a Suprema Corte enfrenta um impasse institucional em torno da relatoria e da competência sobre o caso Master. A defesa destacou que o ex-banqueiro completa mais de 90 dias preso sem que o tribunal analise um recurso pedindo sua soltura.
De acordo com a petição, as investigações da Operação Compliance Zero — que mira Vorcaro — foram paralisadas no gabinete de Edson Fachin. Os autos foram enviados para lá pelo relator André Mendonça em meio à crise no tribunal, e o andamento travou após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista”, aponta o trecho citado da petição da defesa. O pedido de vista ocorreu justamente na sessão em que os ministros deveriam avaliar a eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Crise institucional no Supremo Tribunal Federal
O STF enfrenta uma crise institucional desde que o ministro André Mendonça, relator do caso Master, decidiu levantar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero. O documento contém mensagens atribuídas a Vorcaro que seriam direcionadas a Alexandre de Moraes. Com base no material, Mendonça pediu ao plenário autorização para seguir com investigações contra Moraes.
Em resposta, Moraes divulgou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que aponta um suposto direcionamento das investigações por parte de Mendonça para atingir desafetos políticos. O documento divulgado, contudo, não possui assinatura nem timbre oficial da corporação, além de trazer um aviso na capa informando que suas análises carecem de valor probatório.
Diante do cenário, Moraes solicitou que André Mendonça seja investigado por crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade. O caso chegou a entrar na pauta do plenário para o dia 23 de setembro, mas acabou retirado pelo presidente Edson Fachin, sem nova data prevista para julgamento.