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MP denuncia influenciadora Deolane e líder do PCC por lavagem de dinheiro

Redação | Publicado em: - Atualizado 4 meses atrás

MP denuncia influenciadora Deolane e líder do PCC por lavagem de dinheiro
Investigação aponta uso de transportadora para ocultação e distribuição de recursos da facção - Foto: Instagram

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou seis pessoas sob acusação de integrar uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os denunciados estão a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como principal líder da facção.

Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo teria criado uma estrutura financeira destinada a ocultar e reinserir na economia formal recursos obtidos por atividades ilícitas do PCC. De acordo com os promotores, o esquema funcionou entre 2018 e 2025 por meio de uma empresa de transportes administrada por Ciro Cesar Lemos, condenado anteriormente por organização criminosa.

As investigações apontam que Lemos recebia determinações de Marcola e de seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, também identificado como uma das lideranças da facção, para distribuir valores a integrantes da rede. Ainda segundo o Ministério Público, a organização contava com a participação do operador financeiro Everton de Sousa e dos filhos de Alejandro, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho.

Conforme o Gaeco, Leonardo e Paloma estariam foragidos no exterior. A investigação sustenta que ambos recebiam parcelas dos recursos movimentados pelo grupo por orientação do pai. Paloma, de acordo com a acusação, também repassava instruções sobre a divisão dos valores com base em informações fornecidas por Alejandro.

Os promotores afirmam que Deolane Bezerra recebia depósitos fracionados provenientes da transportadora utilizada no esquema, utilizando contas bancárias próprias para ocultar a origem dos recursos. A denúncia ainda aponta que ela planejava reorganizar suas empresas e transferi-las para fundos sediados no exterior, medida que, segundo a acusação, serviria para viabilizar a lavagem de dinheiro oriundo de integrantes da facção.

O Gaeco também atribui a Everton de Sousa a função de operador financeiro intermediário, responsável por acompanhar a circulação dos valores e a prestação de contas entre os envolvidos.

Deolane permanece presa e teve um pedido de habeas corpus negado pela Justiça nesta terça-feira. Marcola está detido desde 1999, enquanto Alejandro cumpre pena desde 2006. Apesar das prisões, o Ministério Público sustenta que ambos continuaram exercendo influência sobre as atividades da facção por meio de advogados, familiares, outros detentos e canais clandestinos de comunicação.

Defesa

A defesa de Deolane Bezerra informou que ainda não teve acesso integral à denúncia e afirmou que a influenciadora não integra organização criminosa nem praticou qualquer crime.

Já os advogados de Marcola e Alejandro alegaram que ambos estão custodiados em presídios de segurança máxima desde 2019, o que tornaria inviável a participação dos dois no esquema descrito pelo Ministério Público. A defesa acrescentou que Leonardo e Paloma rejeitam as acusações e sustentou que os vínculos patrimoniais e movimentações financeiras mencionados na denúncia são regulares e serão esclarecidos ao longo do processo.

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