O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), anunciou nesta sexta-feira (6) sua pré-candidatura à Presidência da República e divulgou um “manifesto ao Brasil” no qual avalia o cenário político e econômico nacional. No documento, o chefe do Executivo gaúcho afirma que o país enfrenta um “problema de direção” e defende a abertura de um novo ciclo de desenvolvimento, com reformas institucionais e maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
Segundo Leite, a disputa eleitoral que se aproxima vai além de uma escolha convencional de governo. Para ele, o país precisa decidir entre manter o ambiente de polarização política ou adotar uma agenda de mudanças estruturais. Em mensagem publicada nas redes sociais, o governador afirmou que o Brasil necessita de uma nova lógica de funcionamento político e institucional.
“Não estamos diante de uma eleição comum. Estamos diante da escolha entre continuar administrando polarizações ou inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento”, escreveu o governador no texto divulgado nas redes sociais.
No texto, o pré-candidato também propõe um “pacto pela governabilidade democrática”, baseado em maior coordenação entre os Poderes. De acordo com ele, reformas estruturais dependem de diálogo institucional, metas claras e mecanismos de avaliação de desempenho das políticas públicas.
Leite defendeu ainda a necessidade de reequilibrar o funcionamento do Estado brasileiro. No manifesto, citou problemas que, segundo ele, ilustram distorções do sistema político e administrativo, como episódios ligados à Operação Lava Jato, o caso do Banco Master, além do que chamou de “farra de emendas” parlamentares e dos chamados “penduricalhos” que elevam salários no serviço público.
“Precisamos reequilibrar as funções dos 3 Poderes. Com diálogo, transparência e visão de país. Não faz sentido esperarmos resultados diferentes se nosso padrão não muda”, afirmou.
Veja o manifesto de Eduardo Leite
Pontos centrais do manifesto
No documento divulgado nas redes sociais, Eduardo Leite apresenta um conjunto de propostas que, segundo ele, deveriam orientar um novo ciclo de desenvolvimento para o país. Entre os principais eixos defendidos pelo governador estão mudanças institucionais, foco na educação e a valorização da responsabilidade fiscal.
- Falta de rumo estratégico: O manifesto afirma que o Brasil reúne vantagens relevantes, como matriz energética limpa, grande biodiversidade e reservas minerais, mas carece de um projeto nacional de longo prazo. Segundo o texto, o país precisa de uma agenda de Estado voltada para as próximas décadas, e não limitada ao calendário eleitoral.
- Mudanças na governabilidade: Leite propõe reformas política e administrativa para enfrentar a fragmentação do sistema político e tornar a máquina pública mais eficiente. O documento também menciona a necessidade de combater privilégios no setor público e de rever o modelo de distribuição de emendas parlamentares, que ele classifica como excessivo.
- Equilíbrio fiscal como política social: O governador sustenta que a responsabilidade fiscal deve ser tratada como um valor público, e não apenas como demanda do mercado financeiro. No texto, ele argumenta que o controle das contas ajuda a proteger a população mais pobre dos efeitos da inflação e cita o Plano Real como referência histórica de estabilidade econômica.
- Educação e produtividade: Outro eixo central do manifesto é a defesa da educação básica e da qualificação profissional como motores para elevar a produtividade da economia brasileira. O documento aponta que esse avanço é essencial diante do processo acelerado de envelhecimento da população.
- Tecnologia e sustentabilidade: Leite também propõe aproveitar a matriz energética limpa do país e sua posição geopolítica para atrair investimentos em infraestrutura digital e inovação tecnológica. A ideia, segundo o texto, é posicionar o Brasil como protagonista em áreas como a Inteligência Artificial.
- Críticas à polarização política: Por fim, o governador faz críticas ao atual ambiente político, que, segundo ele, tem priorizado disputas pessoais em detrimento de projetos de longo prazo. O manifesto defende a substituição do “improviso” pelo planejamento e do “radicalismo” por uma atuação política baseada em responsabilidade e diálogo institucional.
Pilares centrais
A responsabilidade fiscal aparece como um dos pilares centrais da proposta apresentada pelo governador. Ele classificou o tema como uma “agenda de país” e afirmou que a estabilidade das contas públicas é condição para promover crescimento econômico com proteção social.

“Precisamos de uma nova lógica de funcionamento institucional e político que combine responsabilidade fiscal, metas claras, avaliações constantes de desempenho e foco consistente em educação, segurança, saúde e crescimento econômico com proteção social para famílias brasileiras”, disse.
Entre as medidas defendidas, Leite citou a necessidade de reduzir a burocracia, ampliar parcerias com a iniciativa privada em projetos de infraestrutura e adotar uma estratégia nacional que coloque a educação básica no centro das políticas públicas.
No PSD, o governador gaúcho não é o único nome cotado para disputar o Palácio do Planalto. Também aparecem como possíveis candidatos os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Ratinho Júnior, do Paraná.
No fim de janeiro, após anunciar sua saída do União Brasil, Caiado divulgou um vídeo ao lado de Leite e de Ratinho Jr. Na ocasião, os três governadores afirmaram ter firmado um compromisso de unidade: o escolhido entre eles para representar o grupo na corrida presidencial contará com o apoio dos demais na campanha.