O impacto das intervenções realizadas pelo Governo Federal para conter a malária na Terra Indígena Yanomami é apontado em novo estudo coordenado pela Fiocruz. Publicada na revista científica Malaria Journal, a pesquisa analisa efeitos das ações estabelecidas a partir da declaração de emergência de saúde pública, em janeiro de 2023.
A declaração ocorreu após a notificação de mais de 20 mil casos de malária na área indígena, em cenário de crise humanitária, marcado também pela desnutrição e mortalidade infantil, em meio à expansão do garimpo ilegal e ao fechamento de serviços de saúde na região. Ainda em novembro de 2022, outro artigo também coordenado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) chamou atenção para a relação entre o garimpo e a escalada da malária na região.
O novo estudo mostra que, nos dois primeiros anos de intervenção emergencial, houve aumento na detecção de casos, redução de hospitalizações e estabilização do número de mortes por malária no estado de Roraima, onde está situada parte importante da terra Yanomami, além de territórios onde vivem indígenas de outras sete etnias.
Com reativação de polos-base de saúde indígena, aumento do número de profissionais em campo e oferta de testes diagnósticos, a detecção de casos cresceu 24,5%, passando de 52 mil em 2021 e 2022, para 65 mil em 2023 e 2024. No mesmo período, as hospitalizações caíram cerca de 19%, de 787 para 638. Já o número de mortes foi de 57 para 54, demonstrando estabilidade.
A investigação foi realizada por especialistas do Laboratório de Pesquisa em Malária do IOC/Fiocruz, Secretaria Estadual de Saúde de Roraima (Sesau/RR), Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista (SMSA Boa Vista), Universidade Federal Rural de Roraima (UFRR), Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI Yanomami) e Coordenação de Eliminação da Malária da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (Cema/SVSA/MS).
Autoras do estudo reforçam a gravidade da crise vivida pelos yanomamis e a importância das ações estabelecidas pelo governo federal. “As principais medidas foram a retirada dos garimpeiros da terra indígena, chamada de desintrusão, e a volta dos serviços de saúde, que estavam fechados por causa da violência associada com o narcogarimpo. Isso impedia a atuação dos profissionais de saúde, inclusive pela presença de facções criminosas nos garimpos. As medidas fizeram efeito, mas requerem manutenção”, ressalta a coordenadora do estudo, Maria de Fátima Ferreira da Cruz, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Malária do IOC/Fiocruz.