O Sistema Único de Saúde passou a contar, nesta sexta-feira (10), com um novo avanço na Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. A medida foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro Alexandre Padilha, em São Paulo, por meio do Projeto de Lei nº 125/2025. A proposta busca atualizar o sistema e ampliar o acesso a tecnologias como terapias inovadoras, vacinas e exames diagnósticos mais modernos.
Na prática, a iniciativa fortalece a capacidade do país de pesquisar, produzir e distribuir imunizantes contra o câncer, priorizando o acesso universal e a redução das desigualdades no SUS. O projeto também incentiva parcerias internacionais e o desenvolvimento científico nacional.
Durante evento realizado no Instituto do Coração (InCor), no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Lula destacou o compromisso com a melhoria da saúde pública e com o investimento em tecnologia para ampliar o acesso a tratamentos de ponta.
A nova política integra ações do governo federal, por meio do Ministério da Saúde, para ampliar a produção nacional de insumos e fortalecer o atendimento especializado, em linha com programas voltados à expansão da oncologia no país.
Segundo Alexandre Padilha, o conjunto de medidas representa um dos maiores investimentos já realizados no tratamento do câncer no Brasil, incluindo a ampliação de equipamentos e o desenvolvimento de novas soluções para o SUS.
Atualmente, o sistema público já oferece terapias avançadas, como o uso do medicamento trastuzumabe entansina, indicado para câncer de mama HER2 positivo. Também houve ampliação de cirurgias em parceria com hospitais privados e a organização do acesso a medicamentos por meio de protocolos nacionais.
Para pacientes que precisam se deslocar para tratamento, há auxílio financeiro destinado a transporte, alimentação e hospedagem, incluindo um acompanhante.
Na área de diagnóstico, o SUS ampliou a realização de exames, como mamografias, e expandiu a faixa etária atendida. Além disso, unidades móveis têm contribuído para reduzir filas em diversas cidades. Dados recentes apontam crescimento significativo no número de quimioterapias, cirurgias e sessões de radioterapia realizadas.
Outra frente envolve o uso de telemedicina em parceria com o Instituto Nacional de Câncer e o AC Camargo Cancer Center, permitindo acelerar a emissão de laudos e reduzir o tempo de diagnóstico.
Também foram realizados mutirões voltados à saúde da mulher, com cirurgias e exames concentrados em poucos dias, além de investimentos do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica na compra de equipamentos.
Remédio do SUS contra câncer evita queda de cabelo?
O governo federal firmou um acordo para viabilizar a produção do medicamento pembrolizumabe no Brasil. A iniciativa prevê a transferência de tecnologia da farmacêutica MSD para o Instituto Butantan, com o objetivo de nacionalizar a fabricação e ampliar o acesso ao tratamento no sistema público.
A afirmação de que o medicamento não provoca queda de cabelo deve ser analisada com cautela. O pembrolizumabe é uma imunoterapia com mecanismo diferente da quimioterapia convencional e, em geral, não está associado à alopecia. No entanto, quando utilizado em conjunto com quimioterapia — prática já aprovada pela Anvisa — a queda de cabelo pode ocorrer como efeito do tratamento associado.
Atualmente, o medicamento já é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde para pacientes com melanoma. A ampliação do uso para outros tipos de câncer, como mama, pulmão, esôfago e colo do útero, ainda está sob análise da Conitec.
O pembrolizumabe atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais, sendo considerado um dos principais avanços recentes na oncologia.
Apesar disso, a incorporação do medicamento para o câncer de mama ainda enfrenta obstáculos regulatórios. Um parecer preliminar da Conitec foi desfavorável ao uso em pacientes com câncer de mama triplo-negativo em estágio inicial de alto risco, e o tema seguirá para consulta pública.
Enquanto novas terapias são avaliadas, a quimioterapia segue como base do tratamento oncológico no SUS, especialmente nos casos de câncer de mama triplo-negativo, conforme protocolos oficiais do Ministério da Saúde.