Faltando menos de um ano para as eleições, o embate político em torno da segurança pública tem ofuscado uma conquista importante para a população de Maricá, na Região Metropolitana do Rio: a criação do esperado batalhão de polícia militar no município.
Oficializada na última segunda-feira (26), a nova unidade acabou se tornando alvo de debates acalorados nos bastidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) por causa da nomenclatura escolhida. O número 13 é apontado por alguns parlamentares como uma decisão de viés político, e não técnico ou administrativo.

Deputados, como Rodrigo Amorim, Alexandre Knoploch e Filippe Poubel, todos do Partido Liberal (PL), manifestaram insatisfação e revolta com a escolha.
“Caso a PMERJ não retroceda, apresentaremos um projeto de resolução para sustar os efeitos da decisão e, por lei, faremos a redesignação do novo batalhão”, Rodrigo Amorim — deputado estadual
13º Batalhão de Polícia Militar de Maricá

A construção do novo batalhão em Maricá é uma parceria entre a prefeitura e o governo do estado. O 13º BPM será instalado na Cidade da Segurança, no bairro Parque Nanci.
Atualmente, o município é atendido pelo 12º BPM (Niterói) e, em tese, a criação da nova unidade representa um reforço significativo no policiamento local.
No entanto, a discussão sobre o impacto prático na segurança acabou em segundo plano pelos deputados. Parte dos parlamentares questiona a numeração porque 13 é o número do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que governa Maricá há anos. Para eles, a escolha seria uma provocação política, argumento defendido por Rodrigo Amorim.
“A escolha é lamentável e inapropriada. Eleição não se disputa a qualquer custo. É inadmissível o flerte com o PT em troca da promessa de votos na região”, disparou.
O deputado afirmou ainda considerar a decisão ‘uma provocação aos apoiadores do Bolsonaro a escolha do número 13 para o batalhão em Maricá, cidade onde o PT fez um de seus principais redutos no estado do Rio de Janeiro’.
Durante a cerimônia de assinatura do decreto de reestruturação operacional e administrativa da Secretaria de Estado de Polícia Militar, na última segunda-feira (26), o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes, defendeu a criação do novo batalhão como um avanço para o município.
“Com união e entendimento, conseguimos concretizar esse sonho de anos para o município. Quem ganha é a população”, disse Menezes, na ocasião.
Em nota, a Polícia Militar informou que a criação da unidade operacional foi resultado de estudo técnico e teve como foco principal na ampliação a capilaridade do policiamento.
A PM justifica que ‘a numeração para identificar os batalhões segue uma norma tradicional adotada há mais de 50 anos. Dessa forma, o novo batalhão de São Gonçalo recebeu o numeral ordinal 1º e a próxima unidade a ser inaugurada, em Maricá, receberá o numeral ordinal 13º. ‘Vale lembrar que as duas lacunas – 1º e 13º – ficaram vagas após a extinção de dois batalhões na área central da capital do estado. O próximo batalhão a ser criado receberá a identificação 42º, o seguinte 43º e assim por diante’, finaliza a nota.
Objetivos
Segundo a Polícia Militar, a criação do 13º BPM (Maricá) e 42º BPM (Araruama) têm dois objetivos centrais: concentrar as ações do 12º BPM em Niterói, e viabilizar um comando intermediário de área na Região dos Lagos, o 8º CPA, reunindo quatro unidades operacionais para exercer um policiamento ostensivo adequado numa área com forte potencial de crescimento econômico.
Quanto à proposta de recriar um novo batalhão do Centro da capital, a PM esclareceu que os estudos técnicos da corporação avaliam ser mais produtivo fortalecer o 5º BPM (Praça da Harmonia), como tem sido feito, estimulando a criação de programas de polícia de proximidade, como o Bairro Presente, e estreitando a parceria com o programa Segurança Presente, sob responsabilidade da Secretaria de Governo.

Pelas redes sociais, o prefeito de Maricá Whashington Quaquá comemorou a parceria:
“Depois de muita luta e diálogo, conquistamos algo que o nosso povo espera há décadas: Maricá vai ter o seu próprio Batalhão da Polícia Militar, o 13º BPM”, — Quaquá, prefeito de Maricá.
Historicamente, o 13º BPM funcionava na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, mas foi desativado em 2011. Desde então, o número ficou “livre” e agora volta a ser utilizado, desta vez em Maricá.