Skip to content

Política

Tratamento medicinal à base de maconha gratuito pode virar realidade em Niterói

Redação | Publicado em:

Imagem não disponível


lucas esperanca
Lucas Esperança, de 20 anos, é morador de Niterói. Ele faz uso da cannabis medicinal para fins terapêuticos e teve a sua vida mudada. Foto: Arquivo Pessoal



Pais e responsáveis por menores que dependem da autorização do poder público para conseguir medicamentos nacionais ou importados, a base de cannabis medicinal (maconha), poderão ter esse direto em Niterói, através do Programa Municipal Lucas Esperança.



Isso porque tramita na Câmara de Vereadores, um Projeto de Lei que autoriza o uso do remédio para tratamento no município, desde que contenha em sua fórmula a substância Canadibiol (CBD) ou Tetrahidrocanabinol (THC).



O PL foi apresentado e nesta quarta (21) será lido em plenário, como ato inaugural para tramitação no Plenário da Casa Legislativa. A expectativa é que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) apresente parecer favorável.



“Já apresentei pedido de audiência pública e pretendo submeter a matéria a discussão na cidade também com médicos, envolvidos, autoridades, pois o nosso desejo é que o projeto seja aprovado com toda a chancela merecida da sociedade”

Leandro Portugal, vereador criador do PL



Alternativas para aprovação



  • Autorização por meio de ordem judicial
  • Autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
  • Prescrição médica acompanhada de laudo



O paciente só receberá os medicamentos durante o período prescrito pelo médico, independente de idade ou sexo. Já a assistência pode se estender, também, às unidades de saúde privadas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).



Como funcionaria



  • Prescrição por profissional médico legalmente habilitado, devendo conter, obrigatoriamente, o nome do paciente e do medicamento, a posologia, o quantitativo necessário, o tempo de tratamento, data, assinatura e número do registro do profissional no Conselho de Medicina;



  • Laudo médico, contendo a descrição do caso, o CID da doença, justificativa para a utilização do medicamento indicado e a viabilidade em detrimento às alternativas terapêuticas já disponibilizadas no âmbito do SUS e aos tratamentos anteriores, podendo o referido laudo ser substituído por autorização administrativa da Anvisa;



  • O paciente não possuir condições financeiras de adquirir os medicamentos sem prejuízo do respectivo sustento.



Conforme cita o texto, a Prefeitura de Niterói pode celebrar convênios com os governos federal e estadual, além de municípios e autarquias. Também ficam autorizadas parcerias com organizações sem fins lucrativos que representa os pacientes a fim de promoverem, em conjunto, campanhas, fóruns, seminários, simpósios e congressos.



Esses encontros terão unicamente objetivo de ampliar o conhecimento da população em geral e de profissionais de saúde sobre o tratamento e, também, vão servir para empreender pesquisas relacionadas ao assunto.



O programa municipal quer adequar a temática da cannabis medicinal aos padrões e referências internacionais, como Canadá, Estados Unidos e Israel, proporcionando maior acesso à saúde e atendimento adequado, de forma a diminuir as consequências clínicas e sociais, assim como as consequências de políticas públicas desatualizadas à cannabis medicinal.



Cannabis



maconha ebc
Projeto de Lei, se aprovado, pode garantir o tratamento com uso cannabis medicinal oferecido pelo poder público. Foto: EBC



A cannabis medicinal já é usada para fins terapêuticos por pacientes em diversas condições de saúde, entre elas a síndrome de Rasmunssen, uma epilepsia de difícil controle. O jovem Lucas Esperança, de 20 anos, morador de Niterói, teve sua vida mudada após uso do medicamento.



Não à toa, a lei terá o nome dele, caso seja aprovada pelo parlamento e sancionada pelo prefeito Axel Grael. E, logo após, o objetivo do parlamentar é torná-lo um programa sob comando da Secretaria Municipal de Saúde.



marilene esperanca

“O médico que acompanha ele desde os cinco anos prescreveu todos os tipos de anticonvulsivos. Ele usava cinco tipos de medicações. O uso da cannabis medicinal era a última opção. Começamos a usar e com menos de 15 dias já começamos a ver melhora. Ele voltou a andar, falar, andar de bicicleta, teve as crises controladas. Hoje ele com 20 anos conseguiu fazer o desmame dos cinco medicamentos”

Marilene Esperança, mãe de Lucas que faz tratamento com cannabis medicinal



A Marilene Esperança, de 39 anos, é a mãe do Lucas Esperança. Ela criou a Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Medicinal do Rio de Janeiro (AbraRio), no Centro de Niterói.



“A gente oferece acesso à medicação e informação. Temos parceria com alguns médicos, que são prescritores. O responsável precisa ter laudo e receita médica para poder se associar”



Segundo Marilene, o preço de óleo de cannabis medicinal no Brasil varia entre R$ 79,90 e R$ 600. Já os importados podem superar os R$ 2 mil, dependendo da prescrição médica.



“Existe um número muito grande de médicos que ainda não prescreve o medicamento. E existem aqueles que prescrevem ou óleo importado ou industrial, que acaba ficando fora de condições dessas mães”, alerta.



A história dela no movimento começou quando o filho tinha quatro anos. Lucas tinha cerca de 40 a 50 crises convulsivas por dia, até os 14 anos, e como consequência a perda de todos os movimentos do corpo, ficando em estado vegetativo. Ele começou a ter uma ‘vida normal’ após o uso do medicamento e hoje pode falar e andar.



Antes de fundar o projeto social Lucas Esperança, Marilene indicava às mães que a procuravam, a Associação Abrace, que fica em João Pessoa (PB), para fazer os tratamentos nos seus filhos.



“Eu comprava o óleo mensalmente pelo site e recebia pelo Sedex. Mas veio a ideia de fundar essa associação [AbraRio], com a ajuda de colaboradores, médicos…”, explica.



No último dia 23 de março, Marilene conseguiu um habeas corpus para ter o direito de plantar e produzir a medicação do filho.



“O advogado entrou com pedido na Justiça. Passou no Ministério Público e a juíza deu a decisão favorável. Hoje já existem várias mães com habeas corpus, em Niterói. Por isso eu fundei a AbraRio, que fica responsável pelo tratamento. Tem farmacêuticos, químicos e acaba sendo muito mais seguro do que produzir em casa, porque o manuseio é muito sério”



O vereador Leandro Portugal, autor do projeto, endossa que diante do avanço das pesquisas no uso medicinal do canabidiol, a comunidade científica passou a progressivamente intensificar a investigação do modo que esse composto poderia ser otimizado e utilizado para melhorar a qualidade de vida das pessoas.



“Com efeito, a substância canabidiol, cujo nome científico é cannabis sativa, foi reclassificada para substância de controle especial, segundo decisão da Diretoria Colegiada da Anvisa, ficando permitida a sua comercialização e uso para fins terapêutico”



Com isso, diz Portugal, com base na retirada da substância do rol de matérias proibidas é que se justifica a sua inclusão no rol de medicamentos fornecidos pela rede pública de saúde, sendo certo que a Anvisa adotou critérios para regulamentação do canabidiol no Brasil para segurança da população.


Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Papa Leão XIV é liberado para viajar após cirurgia contra câncer no pulmão
Brasil & Mundo

Papa Leão XIV é liberado para viajar após cirurgia contra câncer no pulmão

Flávio Bolsonaro tem passaportes apreendidos pela PF
Brasil & Mundo

PF apreende passaportes de Flávio Bolsonaro

Trump questiona resultado da eleição no Brasil e diz que gosta de Lula: 'Fraudada'
Brasil & Mundo

Trump questiona eleição no Brasil, mas diz gostar de Lula: ‘Fraudada’

São Gonçalo prorroga atendimento de carreta de tomografia até sábado (31)
São Gonçalo

São Gonçalo prorroga atendimento de carreta de tomografia até sábado (31)