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Política

TSE marca julgamento de recurso de Cláudio Castro

Redação | Publicado em: - Atualizado 5 meses atrás

TSE marca julgamento de recurso de Cláudio Castro
Ex-governador tenta reverter condenação que o tornou inelegível até 2030 - Foto: Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima terça-feira (2) o julgamento do recurso apresentado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro contra a decisão que o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A análise ocorre em meio à indefinição sobre a sucessão no governo fluminense e horas depois de Castro desistir da disputa por uma vaga no Senado.

A condenação foi definida pelo TSE em 23 de março. Na ocasião, a Corte também determinou a realização de eleições para um mandato-tampão no comando do estado. Como o caso envolve vacância nos dois últimos anos de mandato, a decisão inicial previa eleição indireta, conduzida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O PSD, no entanto, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a realização de eleições diretas, por voto popular. O Supremo decidiu aguardar o julgamento do recurso no TSE antes de deliberar sobre o formato da sucessão estadual.

Na véspera do julgamento que resultou em sua condenação, Castro renunciou ao cargo de governador para cumprir o prazo de desincompatibilização e viabilizar uma candidatura ao Senado nas eleições deste ano. A saída do cargo foi interpretada por adversários políticos como uma tentativa de consolidar a hipótese de eleição indireta no estado.

A crise sucessória se agravou após a saída do então vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desde então, o Rio está sem vice-governador. Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, ocupa interinamente o governo estadual.

Desistência do Senado

Cláudio Castro comunicou nesta quinta-feira (28) ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que desistiu da candidatura ao Senado. O ex-governador integraria a chapa do senador Flávio Bolsonaro na disputa pelo Rio de Janeiro.

A retirada ocorre em meio ao avanço da crise política envolvendo o nome do ex-governador dentro do partido. Pesaram na decisão a repercussão de conversas obtidas pela Polícia Federal (PF) em investigação que envolve Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, além da pressão de integrantes do PL diante da situação jurídica do ex-governador.

Mesmo condenado pelo TSE e declarado inelegível, Castro ainda mantinha a pré-candidatura ao Senado nas últimas semanas.

Dias de ‘dor’

Após anunciar a desistência, Castro divulgou um vídeo nas redes sociais para justificar a saída da disputa eleitoral. Na gravação, afirmou que atravessa um período de “dor” e “exposição” em razão das investigações e dos questionamentos sobre sua situação jurídica.

“Esses dias estão sendo muito difíceis. Minha família está passando momentos que eu jamais imaginei que ia passar. Foram dias de dor, dias de exposição, dias de mentiras”, declarou.

O ex-governador afirmou que pretende concentrar esforços na própria defesa e disse acreditar que conseguirá reverter as acusações. “Eu resolvi retirar a minha candidatura ao Senado Federal. E resolvi tirá-la para que eu possa me focar completamente na minha defesa”, afirmou.

Segundo Castro, o afastamento da disputa eleitoral permitirá dedicação integral aos processos em andamento. “Não tenho dúvida que a verdade será esclarecida. Não tenho dúvida que as meias-verdades cairão. Mas, para isso, eu preciso de tempo”, disse.

Envolvimento com Daniel Vorcaro

Investigações da PF apontam que Cláudio Castro e Daniel Vorcaro participaram de encontros em maio de 2023 durante um evento em Nova York, nos Estados Unidos. Após uma das reuniões, o então governador enviou mensagens ao banqueiro afirmando que o encontro havia sido “uma experiência incrível”.

Segundo a investigação, pouco antes da troca de mensagens, Vorcaro realizou o pagamento de US$ 13.313, valor equivalente a cerca de R$ 66 mil, em um restaurante de luxo na cidade americana.

A Polícia Federal também identificou registros de encontros entre os dois no Brasil, inclusive na residência oficial do governo do Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, a relação entre Castro e Vorcaro teria auxiliado na liberação de recursos do Rioprevidência para o Banco Master.

As mensagens encontradas no WhatsApp, no entanto, não fazem menção direta ao Rioprevidência. A defesa de Cláudio Castro negou qualquer interferência do ex-governador na liberação dos recursos.

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