Skip to content

Política

Witzel volta atrás após propor lei para privatizar universidades

Redação | Publicado em:

Imagem não disponível


Witzel cr Eliane Dias Fotos Públicas
Governador enviou proposta para Alerj, mas descartou privatização em seguida. Foto: Eliane Dias/Fotos Públicas



O governador Wilson Witzel (PSC) enviou à Assembleia do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) uma proposta que libera a desestatização das universidades públicas do estado. Apesar da iniciativa, o governador se manifestou nesta quarta-feira (22) descartando qualquer pretensão de privatizar as instituições.



Na Mensagem do Executivo encaminhada na véspera do feriado de Tiradentes, Witzel pede a revogação de partes da lei estadual nº 7.941/2018 que proíbem extinção de universidades, empresas públicas e fundações de pesquisa.



Sem estes dispositivos de proteção criados pela Alerj, podem ser desestatizadas as três instituições de ensino do Rio: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e a Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo).



A lei protege, ainda, a Fundação Leão XIII, a Fundação Para a Infância e Adolescência (FIA), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do RJ (Faperj) e a Fundação Centro de Ciências e de Educação Superior a Distância do Estado do RJ (Cecierj).



Na proposta, Witzel também pede autorização para retomar o Programa Estadual de Desestatização (PED) criado em 1995, no governo de Marcello Alencar (PSDB).



A retomada das privatizações foi uma das contrapartidas do governo estadual do Rio para entrar no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) em 2017 – resgate financeiro aos estados proposto pelo Governo Federal.



Na mensagem executiva, o governador defende que a lei criada pela Alerj torna o plano de desestatização inviável.



“O cenário calamitoso que se agrava neste momento”, argumenta Witzel, citando a pandemia, “impõe desdobramentos catastróficos para o equilíbrio das contas públicas”.



Em paralelo a esta proposta, Witzel encaminhou uma mensagem executiva que pede que a verba concedida para servidores aposentados ou seus pensionistas seja incluída no cálculo do gasto mínimo constitucional com Educação.



Resistência



O projeto começa a tramitar na Alerj em regime de urgência a partir da terça-feira (28). A Mesa Diretora não informou a previsão para discutir a proposta em plenário. A primeira análise será da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).



No entanto, a proposta enfrentará oposição. Parlamentares criticam o uso do período de pandemia para propor a medida. O presidente da Comissão de Educação, Flávio Serafini (Psol), anunciou que deve mobilizar os movimentos sociais do Rio para impedir a aprovação.



“O projeto não prevê nenhum tipo de modelo, o que vai ser feito com cada órgão público. É tão inoportuno num momento em que as univerisdades públicas estão reiterando sua importância na luta contra o coronavírus”, alertou Serafini.



O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Waldeck Carneiro (PT), vê as propostas com preocupação, especialmente pelo impacto na produção científica. Waldeck acredita que o governo estadual deve encaminhar a Alerj o plano de desestatização com as revogações específicas para cada órgão.



“Não se enfrenta crises graves sem a ciência e sem inovação tecnológica. Se tem uma lição que a pandemia nos deixa é que quanto mais apequenado o estado, menor as chances de poupar vidas” afirmou o parlamentar.



Governo nega



Após repercussão negativa do projeto, Witzel se pronunciou através das redes sociais.



“Quero deixar claro: não existe nenhum projeto de privatização das universidades estaduais do Rio de Janeiro em discussão”, publicou.



O secretário estadual da Casa Civil, André Moura, esclareceu que o governo não discute projetos de privatização das universidades estaduais do Rio. No entanto, o órgão estuda uma reestruturação administrativa, que deve ser apresentada na próxima semana. A secretaria não informou se recuará no projeto de lei.



O secretário reconheceu que a proposta cria a possibilidade de extinção das universidades. “Apesar disso, os estudos não incluem as instituições de ensino superior”, reiterou em nota.



Repudio



Os reitores das universidades estaduais do Rio – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) – enviaram carta conjunta ao governador e seu secretariado criticando a iniciativa.



“A mera existência de projeto de lei prevendo a possibilidade de privatização das universidades públicas constitui um forte abalo no esforço que toda a comunidade acadêmica, das três universidades, vem fazendo no combate ao coronavírus” publicaram os reitores.



Confira a íntegra do projeto aqui.





Publicado às 21h


Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Agentes do Segurança Presente durante patrulhamento no Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Segurança Pública

Homem com mandado de prisão por extorsão é preso durante abordagem no Grajaú

Hospital de São Gonçalo atende 96 vítimas de acidentes com motos no fim de semana
Segurança Pública

Adolescente baleada na boca em Cabo Frio segue internada

Equipes do Corpo de Bombeiros atendem ocorrência de queda de asa-delta na pista de pouso de São Conrado, no Rio.
Rio

Queda de asa-delta deixa duas pessoas em estado grave em São Conrado, no Rio

Baleia-jubarte emerge no litoral de Abrolhos, na Bahia, durante expedição de monitoramento e pesquisa científica.
Brasil & Mundo

População de baleias-jubarte cresce de 1,5 mil para 35 mil em 30 anos