A Universidade de São Paulo (USP) oficializou a concessão do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao jornalista Vladimir Herzog, perseguido e assassinado por militares em 1975, durante o período de Regime Militar no Brasil.
O título foi recebido pelo filho do jornalista, Ivo Herzog. Vladimir era professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) da universidade, quando teve a trajetória interrompida por interferência do regime.
Segundo o reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, a honraria representa uma “reparação histórica” e um reconhecimento ao falecido jornalista.
Via EBC
Vida e morte de Herzog
Nascido na Croácia, antiga Iugoslávia, em 1937, Vlado foi naturalizado brasileiro, onde construiu e consolidou uma carreira na imprensa nacional e internacional. Atuou no O Estado de S. Paulo, na revista Visão e na BBC de Londres.
Ocupou o cargo de diretor de jornalismo na TV Cultura, além de lecionar telejornalismo na USP e na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
A morte de Vladimir Herzog foi motivo de verdadeira revolta durante os últimos anos do Regime Militar no Brasil, e ficou marcada como episódio emblemático do período.
O jornalista foi levado, por militares, para as dependências do DOI-CODI, em São Paulo, onde foi torturado e morto. Na época, os agentes do regime forjaram o suícidio de Herzog, alterando, inclusive, a cena do crime.

Foto: Silvaldo Leung Vieira/ Reprodução
A farsa foi porteriormente desmentida, décadas depois, pela Justiça brasileira, incluindo a Comissão da Verdade, que ouviu e julgou os crimes dos militares em 2013.